Moura Ribeiro diz desconhecer investigação e que suspeitas são improcedentes e infundadas Ministro Moura Ribeiro em sessão do STJ — Foto: Lucas Pricken/STJ O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal (PF) investigue formalmente o ministro Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um inquérito sobre a suposta venda de sentenças no tribunal. Após enviar um relatório parcial sobre as investigações, a PF pediu autorização de Zanin para realizar diligências complementares, como levantamentos amplos de dados de servidores vinculados ao gabinete de Moura Ribeiro e de pessoas próximas e parentes do ministro para cruzar informações e identificar vínculos societários. Zanin, então, autorizou o cumprimento das diligências complementares solicitadas pela PF, incluindo também o levantamento de informações sobre o próprio ministro Moura Ribeiro. A investigação tem origem em fatos inicialmente investigados na Operação Sisamnes, que tinha o objetivo de apurar um suposto esquema de comercialização de decisões no STJ em processos ligados aos gabinetes dos ministros Og Fernandes, Isabel Gallotti e Nancy Andrighi. Não foram encontrados indícios de participação daqueles ministros, mas novos desdobramentos também indicaram que o grupo criminoso investigado atuava de maneira semelhante em processos que tramitavam em outros gabinetes, dentre eles o do ministro Moura Ribeiro, o que levou a corporação a instaurar um inquérito separado, em maio de 2025. Ao solicitar as diligências complementares, em abril de 2026, a PF enviou um relatório parcial das investigações, ao qual o Valor teve acesso, e afirmou que ainda havia lacunas a serem esclarecidas. Os investigadores ressaltaram, no entanto, que não encontraram elementos que indiquem a participação de servidores do STJ e de Moura Ribeiro no esquema investigado, mas que a possibilidade de envolvimento ainda não está descartada. O que diz Moura Ribeiro Em nota, o ministro Moura Ribeiro afirmou que desconhece a existência de qualquer investigação sobre decisões proferidas pelo seu gabinete e que são “completamente improcedentes e infundadas quaisquer tentativas de associá-lo ao caso envolvendo a suposta venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ)”. “O ministro Moura Ribeiro afirma que desconhece a existência de qualquer investigação da Polícia Federal sobre decisões proferidas por seu gabinete. O servidor citado na reportagem atuou como ‘Capinha’ por um brevíssimo período, de 30/01/2019 a 16/06/2019. Foi exonerado em menos de seis meses. O Ministro é magistrado há mais de quatro décadas com uma trajetória ilibada e sem qualquer mácula ética. Ele enfatiza que que são completamente improcedentes e infundadas quaisquer tentativas de associá-lo ao caso envolvendo a suposta venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, completou. No relatório parcial enviado ao STF, os investigadores enviaram informações sobre dez processos considerados suspeitos, em que houve a atuação do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, suspeito de ser o operador principal do esquema de compra de decisões com assessores do STJ. Em meio a análise, a PF relatou indícios de que processos foram favorecidos a partir da atuação da esposa do lobista, a advogada Mirian Ribeiro Gonçalves. Em um dos casos, por exemplo, a PF levanta a hipótese depois que o ministro Moura ribeiro assinou uma nova decisão reconsiderando entendimento anterior para beneficiar uma parte do caso, depois que Mirian Ribeiro assumiu a defesa do caso. Segundo os investigadores, as evidências são relevantes uma vez que, em esquemas de corrupção judicial e venda de sentenças, é comum que advogados com trânsito ilícito em gabinetes sejam subestabelecidos nos autos em momentos considerados críticos, servindo como fachada para viabilizar o acordo financeiro pela decisão encomendada. Em nota, o advogado Eugenio Paccelli, que defende o lobista e a advogada, afirmou que o as diligências complementares relacionadas ao ministro servem para legitimar a permanência do caso no STF e que a PF não encontrou nenhum indício de crime. “Sobre o tal Relatório: acabou a Copa; volta-se à cozinha. Ocorre que, no próprio Relatório, a PF afirma que “nada foi encontrado que indique alguma ilicitude em relação ao Ministro e a servidores”. Mais claro, impossível! Pediram prazo para “ver se acham”. Como se sabe, há uma ação penal proposta no STF sem nenhuma autoridade com foro privativo! É a nova moda da “jurisdição do futuro”! Não surpreende a busca de alguma autoridade pra legitimar a permanência da jurisdição do STF”, escreveu.