Levantamentos recentes mostram parte relevante desses recursos direcionada a negócios de menor porte, ainda distante do potencial real do setor. Eduardo Campos Sigilião — Foto: Divulgação O volume de contratos que o poder público fecha todos os anos com empresas privadas já ultrapassa a marca de um trilhão de reais, distribuído entre milhares de editais publicados mensalmente em prefeituras, governos estaduais, órgãos federais e estatais. Desse total, uma fatia relevante, algo próximo de R$ 270 bilhões anuais, é direcionada especificamente a micro e pequenas empresas, o que coloca esse mercado entre as fontes de receita mais estáveis disponíveis para negócios brasileiros de qualquer porte. Eduardo Campos Sigilião, empresário com atuação em licitações e contratos públicos, explica que esse volume ainda surpreende quem nunca teve contato com o setor. Segundo ele, boa parte das empresas brasileiras desconhece o tamanho real desse mercado, e muitas nem chegam a considerar a venda ao governo como alternativa de crescimento. A centralização das informações mudou o alcance do mercado Até poucos anos atrás, encontrar editais fora da própria cidade ou estado exigia acompanhar diários oficiais separados, um processo lento e pouco prático para empresas menores. A consolidação de um portal nacional único de contratações mudou esse cenário, reunindo em um só lugar informações que antes ficavam pulverizadas entre milhares de órgãos públicos espalhados pelo país. Eduardo Campos Sigilião destaca que essa centralização ampliou consideravelmente o alcance de fornecedores que antes disputavam apenas contratos locais. Ele explica que o volume de editais publicados nesse portal cresceu de forma expressiva nos últimos anos, à medida que estados e municípios migraram seus próprios sistemas para essa base nacional. Habilitação documental costuma ser a primeira barreira Antes de qualquer disputa de preço, toda empresa interessada em vender ao governo passa por uma etapa de habilitação, na qual apresenta documentos como certidões fiscais, comprovação de capacidade técnica e regularidade trabalhista. É nessa fase inicial que boa parte das propostas é eliminada, independentemente da competitividade comercial da empresa. Para Eduardo Campos Sigilião, essa etapa costuma ser subestimada por quem está começando nesse mercado. Ele nota que negócios com documentação organizada e atualizada tendem a participar de um número bem maior de processos ao longo do ano, simplesmente por não perderem tempo corrigindo pendências. Novos formatos de compra simplificam parte do processo O setor público também tem incorporado formatos mais ágeis de contratação, aproximando parte das compras da lógica de comércio eletrônico para produtos e serviços padronizados. Essa mudança reduz etapas burocráticas em processos de menor complexidade, tornando o ciclo entre publicação do edital e assinatura do contrato mais curto do que era há alguns anos. Eduardo Campos Sigilião pondera que esse tipo de simplificação tende a beneficiar principalmente empresas menores, que costumam ter menos estrutura para acompanhar processos longos. Segundo ele, formatos mais rápidos reduzem a vantagem histórica que grandes empresas tinham por contar com equipes jurídicas dedicadas exclusivamente a licitações. Um mercado relevante que segue com espaço para crescer O tamanho do mercado de contratos públicos no Brasil já é comparável ao de setores tradicionais da economia, mas a participação de pequenas e médias empresas ainda tem margem considerável de expansão. Eduardo Campos Sigilião reforça que compreender as etapas desse processo, da habilitação documental à disputa comercial, costuma ser o fator que separa empresas que conseguem transformar esse mercado em receita recorrente daquelas que nunca chegam a tentar.