Detalhes da proposta de trégua rejeitada por Teerã não foram divulgados, mas autoridades iranianas disseram que esta era a única oferta em discussão Uma estátua simbolizando a mão do falecido Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, ao lado de um outdoor retratando o presidente dos EUA, Donald Trump, em um caixão, em Teerã , Irã, 23 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS O Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, levada a Teerã pelo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, enquanto as tensões no Oriente Médio aumentam após os ataques dos houthis do Iêmen a embarcações da Arábia Saudita no Mar Vermelho. Iranianos e americanos trocaram novos ataques nesta sexta-feira, em meio a novas ameaças de Donald Trump, que declarou avaliar a retomada de operações militares em grande escala para forçar os iranianos a retomarem as negociações de um acordo de paz. Detalhes da proposta de cessar-fogo rejeitada por Teerã não foram divulgados, mas autoridades iranianas disseram que esta era a única oferta em discussão e que o governo do país não tinha interesse em fechar um acordo temporário que deixasse sem solução a questão do controle sobre o Estreito de Ormuz. Após a notícia de que a proposta foi recusada, Trump concedeu entrevista ao portal americano Axios e afirmou que avalia retomar operações militares de grande escala contra o Irã. Disse ainda que está "perto de tomar uma decisão" sobre ataques que seriam "maiores do que nunca". Segundo ele, o regime iraniano "ainda não sofreu o suficiente" e não está pronto para fechar um acordo. Trump advertiu ontem, nas redes sociais, que os houthis e o Irã sofreriam uma "grande punição militar" caso os ataques no Mar Vermelho continuassem. Mais tarde, acrescentou que "todo e qualquer dano" causado a navios será pago com dinheiro iraniano que está em posse e sob controle dos EUA. Trump Trump afirmou que, de agora em diante, fará o Irã pagar por quaisquer danos causados a navios e cargas no Estreito de Ormuz, usando recursos iranianos sob controle dos EUA — Foto: Reprodução/Truth Social Os ataques a navios da Arábia Saudita ocorreram após os houthis declararem um bloqueio naval ao país, o que elevou os temores de que o grupo aliado ao Irã possa fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. A passagem se tornou uma rota vital para as exportações de petróleo da Arábia Saudita desde que o Irã assumiu o controle do Estreito de Ormuz nos primeiros dias da guerra. Os ataques também ameaçam uma trégua de quatro anos entre os houthis e os sauditas. Nos dias desde que anunciaram o bloqueio, vários petroleiros alteraram sua rota para evitar o Estreito de Bab el-Mandeb. Em vez disso, seguiram para o norte, pelo Canal de Suez, recorrendo potencialmente a uma rota muito mais longa e cara para chegar aos clientes asiáticos, contornando a África. O número de petroleiros que cruzaram o Estreito de Ormuz caiu para apenas um na quinta-feira, o menor nível desde 7 de maio, mostraram dados de rastreamento marítimo. Nas redes sociais, Araqchi respondeu às declarações sobre o uso do dinheiro iraniano para arcar com eventuais danos a navios, dizendo que "confiscar ativos de outro país para pagar futuras reivindicações sem relação com eles cria um precedente incendiário". "Uma vez que governos normalizem esse tipo de confisco, os ativos de ninguém estarão seguros. O caos que se seguirá não será bonito nem pacífico", acrescentou o chanceler iraniano. Os Estados Unidos mantêm cerca de US$ 2 bilhões em recursos iranianos bloqueados dentro de seu território. Uma parcela muito maior está em outros países e continua impedida de ser transferida por causa das sanções americanas. As estimativas variam de US$ 24 bilhões a mais de US$ 100 bilhões. Sem qualquer acordo à vista, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou na quinta-feira que realizou a 13ª noite consecutiva de ataques, com o objetivo de reduzir a capacidade do Irã de atacar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, afirmou ter atacado sistemas de mísseis, depósitos de armas e de combustível dos Estados Unidos na Jordânia, além de posições militares americanas no Kuwait. O Exército da Jordânia informou que enfrentou quatro mísseis iranianos e seis drones nas últimas 24 horas, interceptando todos, exceto um míssil, que caiu em uma área desabitada. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido uma unidade americana de guerra eletrônica na base de Al-Adiri, no Kuwait, causando baixas não especificadas, em resposta a um ataque realizado durante a madrugada contra a passagem de fronteira iraniana de Shalamcheh, na divisa com o Iraque. Nem os Estados Unidos nem o Kuwait relataram vítimas na base. O porta-voz das Forças Armadas iranianas, general de brigada Mohammad Akraminia, afirmou, segundo a televisão estatal iraniana, que o país continuará retaliando enquanto os EUA mantiverem ataques contra sua infraestrutura e suas áreas costeiras. Desde que EUA e Israel iniciaram a guerra, em fevereiro, o Irã demonstrou ser capaz de atingir alvos americanos na região, apesar de Trump ter afirmado, no início do conflito, que os EUA haviam destruído as capacidades militares iranianas. Quatro pessoas familiarizadas com informações de inteligência dos EUA disseram à Reuters que ataques iranianos contra instalações da CIA na região do Golfo, no início da guerra, levaram as agências americanas a investigar se a Rússia estaria fornecendo ao Irã informações de direcionamento de alvos ou tecnologia para drones. Fontes no Irã e no Iêmen também disseram à Reuters que o Irã enviou por via aérea ao Iêmen comandantes da Guarda Revolucionária, assessores militares e equipamentos relacionados a mísseis e drones dias antes de os houthis anunciarem o bloqueio. Os houthis negaram a informação.
Irã rejeita proposta de cessar-fogo, e Trump ameaça retomar guerra em larga escala
Detalhes da proposta de trégua rejeitada por Teerã não foram divulgados, mas autoridades iranianas disseram que esta era a única oferta em discussão








