PUBLICIDADE Após leilão, especula-se que prédio pode se tornar hotel 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Antigo Hospital Espanhol está abandonado na Rua Riachuelo — Foto: Márcia Foletto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 07:23 Antigo Hospital Espanhol do Rio Será Transformado em Hotel Após Leilão O antigo Hospital Espanhol, no Centro do Rio, fechado em 2020, enfrenta deterioração com pichações e perda de reboco. Após leilão, o prédio foi arrematado por R$ 12,8 milhões e pode virar hotel, segundo especulações. A região sofre com insegurança e abandono de imóveis. A dívida da Sociedade Espanhola de Beneficência, dona original, será destinada a ex-empregados e credores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um exemplo entre tantos imóveis abandonados no Centro do Rio é o antigo Hospital Espanhol. Pertencente à Sociedade Espanhola de Beneficência, a unidade fechou as portas em 2020 e, desde então, passou a se deteriorar. As paredes do térreo estão atualmente tomadas por pichações, enquanto, nos andares mais acima, há pedaços com falta de reboco. Placa instalada ao lado da entrada do imóvel ainda indica o nome do antigo estabelecimento, mas o letreiro com letras em tom prateado já conta com o desfalque da letra "L" ao fim da palavra que indica a nacionalidade local. Letra "L" sumiu do letreiro do Hospital Espanhol — Foto: Márcia Foletto — Foi uma coisa que fez uma tradição ali e ficou por muito tempo — lembra Carlos Augusto Loureiro, morador do Centro desde que nasceu. O abandono, observa Augusto, acaba levando a uma sensação de insegurança no local. A situação é relatada por outros moradores, que se queixam até da presença de usuários de drogas na Rua Conselheiro Josino, que fica ao lado do hospital, em frente ao terreno em que seria construída uma unidade do Inca. Leilão recente Mas há esperanças para o futuro do espaço. O motivo é que, em maio de 2023, foi realizado um leilão para o arremate do imóvel, que tem seis andares e conta com três elevadores. Edital do leilão publicado em um site que recebeu os lances detalha que o prédio estava avaliado em R$ 32 milhões, mas que tinha débitos de IPTU em R$ 238,5 mil à época. Com a beneficência endividada — consulta à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional mostra dívida atual de R$ 105,6 milhões —, os valores seriam destinados a ex-empregados e credores da instituição. Casarões, lojas e apartamentos no entorno, pertencentes à empresa, também fizeram parte de lotes do leilão. Fachada do antigo Hospital Espanhol, com rebocos caindo — Foto: Márcia Foletto Segundo a Coordenadoria de Apoio à Execução (Caex) do Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ), esse leilão acabou sem interessados e que, por isso, o imóvel só acabou arrematado — por R$ 12,8 milhões — num segundo certame, em maio de 2024. Ainda de acordo com o TRT, o valor será destinado a um total de 734 credores, inscritos no Regime de Execução Forçada da empresa. Uma advogada que representa um dos interessados, explica que, por conta de recursos e protelações, houve demora para que os valores chegassem aos destinatários: credores já teriam recebido pagamentos em abril deste ano e devem receber a próxima parcela nos próximos meses. Futuro hotel? Agora resta a dúvida sobre o que será feito com o imóvel. A advogada afirma que quem arrematou o Hospital Espanhol foi um grupo de hotelaria que atua no Centro, o que poderia indicar o futuro uso do local. O GLOBO tentou confirmar com os sócios da rede, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Tampouco conseguiu contatar representantes da beneficência. A unidade foi desativada no início de 2020. Naquele ano, já durante a pandemia, a gestão do então prefeito Marcelo Crivella decidiu por apreender respiradores, camas e outros insumos do hospital desativado, para enfrentamento da pandemia. Além do Espanhol, a região convive com invasões, assim como o abandono de outros prédios. Na Rua do Riachuelo mesmo, a ativista Isis Viana, integrante da Associação de Moradores e Amigos da Rua do Riachuelo lembra da Academia Brasileira de Filosofia como um dos locais abandonados, assim como o imóvel em que funcionaria o Museu da Água. Mas a situação é comum também a outros endereços, segundo ela, como ocorre em "vários imóveis" da Rua Carlos Sampaio.