Na floresta do livro infantil "O Lobo de Cueca", de Wilfrid Lupano e Mayana Itoïzed (Via Lúdica), a vida gira em torno de uma certeza: no alto da colina vive um lobo feroz, de dentes afiados, pronto para atacar a qualquer momento. Há jornais que alimentam o medo, cartazes espalhados pelas árvores, livros sobre como enfrentar o lobo, coaches que oferecem cursos e até uma brigada antilobo. O comércio relacionado prospera, as conversas repetem a mesma narrativa, e a rotina dos habitantes passa a ser organizada em torno de uma ameaça que, na verdade, ninguém parece ter visto de perto.
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Além de uma história muito divertida, é também uma metáfora bastante atual para o ambiente informacional em que vivemos. Quando finalmente o lobo aparece, tranquilo e nada ameaçador, há uma reversão de expectativas: ao invés do perigo tantas vezes narrado, há um sujeito um tanto ridículo de cueca. Em choque, os moradores percebem que a comunidade havia organizado sua visão de mundo a partir de informações enviesadas produzidas, selecionadas e repetidas por diferentes meios de comunicação.
A floresta retratada no livro, assim, nos lembra que vivemos dentro de ecossistemas informacionais que moldam comportamentos, emoções e decisões cotidianas, e nos quais não somos apenas consumidores de informações, mas participantes ativos.







