Ação afirma que a Lindt sabe há mais de 20 anos que seu cacau é produzido com trabalho infantil e lucra com essa prática Denúncia diz que a Lindt compra 100% do grãos de cacau de Gana e a manteiga de cacau da Costa do Marfim — Foto: Bloomberg A fabricante suíça de chocolate Lindt foi processada em um tribunal dos Estados Unidos por suposto uso de trabalho infantil em Gana e na Costa do Marfim, apesar de a empresa destacar seu compromisso com o fornecimento responsável de ingredientes. De acordo com ação movida na terça-feira (21), no tribunal federal de Washington, D.C., a Lindt assegura falsamente aos consumidores que está tentando eliminar o trabalho infantil de sua cadeia de suprimentos e que está comprometida com os direitos das crianças e os direitos humanos em geral. A ação também afirma que a Lindt sabe há mais de 20 anos que seu cacau é produzido com trabalho infantil e lucra com essa prática. “Um consumidor razoável não esperaria que uma empresa ‘comprometida com o respeito aos direitos humanos’ e ‘que conduz seus negócios de maneira ética, legal e ambiental e socialmente responsável’ utilizasse trabalho infantil generalizado em sua cadeia de suprimentos de cacau”, afirma a ação. De acordo com a denúncia, a Lindt adquire 100% de seus grãos de cacau para consumo direto de Gana e a manteiga de cacau da Costa do Marfim. A International Rights Advocates, um escritório de advocacia de interesse público, entrou com a ação judicial. O escritório também já moveu processos acusando as fabricantes de chocolate Mars, Mondelez e Nestlé de recorrerem ao trabalho infantil. “A Lindt & Sprüngli leva a questão do trabalho infantil muito a sério, condena veementemente todas as formas de trabalho infantil e nega as alegações contidas na denúncia”, afirmou um porta-voz da Lindt em e-mail, nesta quinta-feira (23). “Temos protocolos de fornecedores em vigor e investigamos sistematicamente casos suspeitos de trabalho infantil em nossa cadeia de suprimentos.” O site da empresa, sediada em Kilchberg, na Suíça, contém um Plano de Sustentabilidade 2030, que aborda os esforços da Lindt para apoiar os produtores de cacau na África Ocidental e reduzir os riscos decorrentes do trabalho infantil. A Lindt também publica uma “Declaração sobre Escravidão Moderna” que aborda sua “estratégia personalizada” para reduzir os riscos, inclusive por meio do cumprimento da certificação da Rainforest Alliance para práticas agrícolas. A ação judicial visa pôr fim à suposta “conduta ilegal da Lindt dirigida aos consumidores de Washington, D.C.”, e não busca indenização. Terry Collingsworth, diretor executivo da International Rights Advocates, afirmou em um e-mail que sua pesquisa “confirmou que a Lindt, assim como as outras grandes empresas do setor de cacau, possui excelentes políticas no papel, mas praticamente nenhuma implementação, especialmente no que diz respeito à questão do trabalho infantil”. Sua organização também moveu ações judiciais contra a Apple, a Cargill e a Starbucks por alegações de trabalho forçado em suas cadeias de suprimentos.