Quando os petroleiros voltaram a atravessar o estreito de Hormuz em maior número, o preço do petróleo recuou como se a crise estivesse a caminho de uma solução rápida.
Os mercados enxergaram novamente os barris saindo do golfo e projetaram esse movimento para o futuro, mas a passagem de navios por alguns dias está longe de representar a normalização de uma cadeia que depende de terminais, oleodutos, seguradoras, tripulações e rotas marítimas operando de maneira previsível.
A distinção entre reabertura e normalização ajuda a entender por que o petróleo pode continuar caro e volátil mesmo depois de uma trégua. Instalações danificadas levam tempo para ser reparadas, estoques precisam ser recompostos e os custos dos seguros permanecem elevados enquanto armadores e empresas de energia considerarem plausível uma nova interrupção.
Em junho, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia), a oferta mundial recuperou cerca de 4 milhões de barris por dia, mas ainda estava mais de 9 milhões abaixo do nível anterior à guerra. Os fluxos do golfo reagiram mais rapidamente do que a produção, em parte porque petróleo armazenado em terra e no mar foi colocado em circulação.
Essa diferença revela a característica central da crise. A limitação mais perigosa já não está apenas na quantidade de petróleo que pode ser extraída, mas na capacidade de transportá-lo com segurança, regularidade e custo aceitável.








