A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que interfere no funcionamento do cérebro, afetando a maneira como a pessoa interpreta a realidade, pensa, sente e se relaciona com os outros. Entre os sintomas mais conhecidos, estão alucinações, delírios e pensamentos desorganizados, mas a condição também pode provocar isolamento social, dificuldade de concentração, redução da expressão das emoções e perda de interesse pelas atividades do dia a dia.

Muito antes dos primeiros sintomas de esquizofrenia aparecerem, alterações microscópicas podem estar acontecendo no cérebro. O estudo “PHGDH inhibition interferes with neuron-astrocyte interactions during neural maturation”, conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e publicado na revista científica Glial Health Research, sugere que alterações ocorridas durante a formação cerebral podem criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento da esquizofrenia anos mais tarde.

Os cientistas utilizaram “minicérebros” produzidos em laboratório a partir de células-tronco humanas para investigar como determinadas alterações metabólicas afetam o desenvolvimento dos neurônios. Os resultados mostraram que pequenas falhas em mecanismos fundamentais podem comprometer a formação das conexões cerebrais ainda nas fases iniciais do desenvolvimento.