Cerca de 30 das 160 peças do acervo possuem status de monumento artístico, de acordo com coletivo que visa impedir saída de trabalhos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Autorretrato com colar' (1933), de Frida Kahlo — Foto: Gerardo Suter/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O coletivo Defendamos la Colección Gelman contesta na Justiça o acordo com o Banco Santander. O grupo tenta impedir a permanência indefinida das obras no exterior. Cerca de 30 das 160 peças do acervo possuem o status de monumento artístico. Essa classificação garante proteção permanente do Estado e exige autorização para viagens. A fotógrafa Graciela Iturbide convoca os artistas a protestarem pelo retorno das obras. Para ela, a criação de Frida Kahlo é um produto indissociável da identidade nacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Artistas intensificaram uma mobilização no México para impedir que um valioso conjunto de cerca de 160 obras da arte moderna mexicana deixe o país. O acervo — que reúne trabalhos de nomes como Frida Kahlo, María Izquierdo, Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros — integra a Coleção Gelman e passou a ser administrado pela Fundação Banco Santander, da Espanha, no início deste ano. A preocupação aumentou após o encerramento, no último domingo (19), da exposição “Relatos modernos”, no Museu de Arte Moderna da Cidade do México, que exibia parte dessas obras. A campanha é liderada pelo coletivo Defendamos la Colección Gelman, que contesta judicialmente o acordo firmado entre o Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (INBAL), os proprietários da coleção e o Banco Santander. Para o grupo, permitir que as obras permaneçam no exterior por um período indefinido não é razoável por elas terem “incalculável valor estético e simbólico” para o país. Em entrevista ao jornal mexicano El Universal, a fotógrafa Graciela Iturbide — cuja obra tem profunda relação com a obra de Frida — afirmou que uma possível decisão sobre o destino das obras da artista iria contrariar o próprio pensamento dela. “Eu proporia aos artistas que se unissem para protestar, lutar pelo que é nosso e dizer: ‘Frida é nossa’. Frida é do México, precisa voltar ao nosso país. Podemos emprestar suas obras quando for necessário e nas condições adequadas, para que fiquem um tempo no exterior e sejam vistas. Mas ela é daqui. É um produto totalmente mexicano e da nossa cultura, porque sempre esteve profundamente ligada às tradições do México, aos seus costumes, às roupas, à culinária, à cerâmica, aos animais... Ela tinha um enorme amor pelo México, e toda a sua obra nasce dessa paixão”, disse ela. Do acervo de aproximadamente 160 obras, cerca de 30 possuem o reconhecimento de monumento artístico. Segundo o coletivo Defendamos la Colección Gelman, esse status garante proteção permanente do Estado mexicano, que mantém a responsabilidade de zelar por essas peças, mesmo quando elas pertencem a colecionadores particulares, como ocorreu com a coleção. O grupo afirma que as obras reconhecidas como monumentos artísticos podem ser emprestadas para exposições temporárias no exterior, desde que haja autorização do Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (INBAL). O grupo afirma que esse tipo de permissão deve ser concedido apenas quando a viagem tiver justificativa cultural.