Marianna Leporace lança álbum nesta quinta-feira (23) em show que terá encontro inédito no palco com os irmãos Fernando e Gracinha, viúva de Sergio Mendes e cujo único disco solo, de 1968, chegou às plataformas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marianna Leporace entre os irmãos Fernando e Gracinha — Foto: Ana Branco Marianna Leporace tinha apenas 2 anos quando sua irmã Maria da Graça partiu para os EUA. Gracinha Leporace integrou o Bossa Rio e, em 1970, entrou para o conjunto Brasil 66, do pianista e compositor Sergio Mendes, com quem ela se casaria em 1974. Fez carreira lá, criou raízes em Los Angeles e nunca mais voltou a morar no Rio. Após sobreviver a um infarto, dois cânceres e um AVC: Hermínio Bello de Carvalho, letrista mais longevo da MPB, lança disco de inéditas que celebra seus 90 anos Daí o interesse em torno do show que marca hoje, no Teatro Rival Petrobras (na Cinelândia, Centro do Rio), o lançamento do álbum “Samba em família”, de Marianna. É a primeira vez que as duas e outro irmão, o baixista e compositor Fernando Leporace, se encontram num palco. Gracinha não cantava no Brasil desde 2017, quando se apresentou no Rio com Sergio e o conjunto. – Havia distância física (de Gracinha) e também havia admiração – destaca Marianna, que acompanhou do Brasil o sucesso de Sergio e Gracinha. – O casal virou uma entidade. E eu vivi a realidade da música independente, uma trajetória que me dá muito orgulho. São caminhos diferentes, mas ligados pelo afeto. Capa do álbum de Marianna Leporace — Foto: Divulgação Ela é temporã de cinco irmãos, todos com pendor para a música, mesmo a socióloga Márcia e o economista Zeca. A casa da família ficava de portas abertas nos fins de semana, recebendo amigos para rodas musicais. O pai, Sebastião, era radialista, cantor, compositor bissexto e tocava violão. A mãe, Virgínia, era pianista com formação clássica. – Nasci nesse caldeirão efervescente de música – afirma Marianna, que aprendeu muito com Fernando, baixista em todos os seus trabalhos. – Mais do que qualquer artista brasileiro, minha influência maior é o meu irmão. Gracinha, um pouco mais nova do que Fernando, também ressalta o papel do irmão. – Fernando foi meu escudeiro. Comecei com ele. Sempre senti muita falta da presença dele na minha carreira – diz ela, que chama sua participação no show de hoje de “muito emocional”. A dupla chamou atenção no Grupo Manifesto, um coletivo que chegou a ter dez artistas e que contava, entre outros, com Gutemberg Guarabyra, Lucinha (hoje Lucina), Guto Graça Mello e Mariozinho Rocha. Em 1967, ano do primeiro de seus dois discos, o grupo ganhou a fase nacional do Festival Internacional da Canção com “Margarida”. Gracinha foi escolhida a revelação por “Canção de esperar você”, de Fernando. No primeiro semestre deste ano, a gravadora Universal relançou em vinil e pôs nas plataformas de áudio o único disco solo de Gracinha, que leva o seu nome e saiu em 1968. Ela lembra que a maioria das músicas foi composta para o LP. Entre os autores, Edu Lobo (“Rancho de Ano Novo”), Dori Caymmi (“Cantiga”) e Sidney Miller (“Madrugada”). – O disco não foi bem-sucedido, mas, depois, foi lançado em CD no Japão. Esse relançamento agora me deixa lisonjeada e feliz. Foi uma época boa da minha vida – diz. A primeira faixa é “Última batucada”, criação do patriarca dos Leporace, Sebastião. A música é amada no Japão, graças a uma gravação feita por Sergio Mendes em 1979. E está, naturalmente, no repertório de “Samba em família”, o álbum e o show (nos dois casos, em duo com Gracinha). Do pai também está “Nem telefonei”. Marianna ainda selecionou duas composições de Fernando feitas para o Manifesto: “Brasil dá samba” e “Sem dor”. Ela começou em 2010 também a compor. A primeira – e que abre o show – foi “Eu sou a tal”, melodia sua e letra de Gilvandro Filho. No caso de “Como o Chico falou”, presente apenas no show, a letra é sua e a melodia é de Felipe Radicetti. – É uma colcha de referências, de versos e títulos de músicas do Chico (Buarque). Sou chicólatra – resume ela. Foi interpretando parcerias de Chico e Edu Lobo que Marianna fez sua estreia fonográfica, em 2000, com o CD “São bonitas as canções”, acompanhada pela pianista Sheila Zagury. Antes, participava de musicais. Depois, gravou para o Japão, em 2005, um disco cantando Baden Powell. Ele saiu dois anos depois por aqui, mas não está nas plataformas. Outros, como “Interior” (2011), estão disponíveis. O projeto “Samba de família” tem o que ela chama de “família estendida”. Ou seja, amigos que participam com composições. Dois exemplos são Cacala Carvalho e Maurício Detoni, que também estão no show. E, entre outros, há Suely Mesquita, Edu Krieger, Rodrigo Lessa e Mauro Aguiar. Família era algo com que Gracinha sonhava no início de sua trajetória. – Quando comecei minha carreira solo no Brasil, era para fazer enquanto pudesse. Queria ter família, filhos, uma vida organizada. Achava que seria incompatível com a música – recorda ela, ressaltando que as coisas mudaram de vez a partir do encontro com Sergio Mendes, com quem teve dois filhos e vida profissional, mas sempre à sombra dele. – Nunca tive fissura de ser o nome da marquise. Cantar no grupo era confortável para mim. Fiz o que eu queria. Já tinha muita estrela em casa. Fiquei em posição secundária com muito prazer. Depois que Sergio morreu, em 2024, aos 83 anos, parecia que o conjunto acabaria. Mas Gracinha o retomou neste ano, agora na condição de band-leader, É a The Sergio Mendes Band, com oito integrantes, todos – exceto o pianista – tendo, pelo menos, 12 anos no grupo.
Reunião em família embalada pela (boa) música
Marianna Leporace lança álbum nesta quinta-feira (23) em show que terá encontro inédito no palco com os irmãos Fernando e Gracinha, viúva de Sergio Mendes e cujo único disco solo, de 1968, chegou às plataformas







