PUBLICIDADE Cheia de novidades, cantora se permite voltar, no festival Doce Maravilha, ao LP de 40 anos atrás, que ampliou seu sucesso de musa black e valeu a ela a fama de grande cantora romântica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A cantora Sandra Sá — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Aos 71 anos, a cantora celebra os 40 anos de seu bem-sucedido LP de 1986, conhecido como "o disco da boneca", em show no festival Doce Maravilha, no Rio. O álbum que rendeu à cantora seu primeiro Disco de Ouro, entregue por Chacrinha, reuniu sucessos românticos de Sullivan e Massadas e inovou ao incorporar sintetizadores e programações de bateria eletrônica. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Lenda viva da música preta brasileira, Sandra Sá não dá sinais de que vá sossegar: acabou de gravar com o grupo Black Pantera, vai soltar uma parceria póstuma e inédita do tecladista Reinaldo Arias com Cazuza (velho amigo da cantora, padrinho do seu filho, Jorge) e inaugurar o selo De Sá Música (“para lançar uma crioleba nova”) com um EP seu, de parcerias com nomes como Davi Moraes e Luiz Caldas. Aos 71 anos de idade, 46 de carreira, ela não tem muito tempo de olhar para trás. Mesmo assim, abre exceção para celebrar no dia 9, no Rio, no festival Doce Maravilha, os 40 anos de seu LP de 1986. Revelada no festival MPB 80, de 1980, com a música “Demônio colorido”, a carioca de Pilares (Zona Norte) gravou LPs pela RGE, despontou como musa black ao lado de Tim Maia em “Vale tudo” e vivia o sucesso da regravação de “Enredo do meu samba” (de Jorge Aragão e Dona Ivone Lara, abertura da novela “Partido Alto”) quando a RCA acenou com um contrato. “Sandra Sá”, conhecido por causa da capa do “o disco da boneca”, foi o primeiro grande êxito fonográfico de Sandra, estourando nas rádios “Retratos e canções”, “Solidão”, “Joga fora”, “Não vá” e “Entre nós” (dueto com Michael Sullivan). — Aquela boneca é como se fosse eu, eu encarnei naquela boneca — reconhece a cantora, representada na arte de massinha da capa, ao lado de um disco de Janis Joplin, de um gato e de uma foto do filho — Sou eu me divertindo, é como se fosse eu e as coisas que eu curto. É um disco de certa forma romântico, mas ali tem Janis, umas coisas rock’n’roll que são a minha cara. O romantismo está ali de várias formas. Você pode ser romântica falando “joga fora no lixo!” Capa do álbum “Sandra Sá”, de 1986 — Foto: Reprodução Assim como a funky “Joga fora”, as baladas “Retratos e canções” e “Entre nós” eram composições de Michael Sullivan-Paulo Massadas, dupla que dominou as rádios do Brasil naqueles anos. Junto com “Solidão” (de Chico Roque e Carlos Colla), elas valeram a Sandra Sá (até outro dia, Sandra de Sá) um lugar no panteão das cantoras românticas de FM da época. Mas também acusações da crítica (que atingiram ainda Tim Maia, outro cliente de Sullivan e Massadas) de que estava ficando piegas e mela-cueca. — Eu, cantando a parada romântica, é de um jeito. A Joanna cantando é de outro jeito. A Simone cantando é de outro jeito. Cada um tem a sua parada. A música, em si, não é nada até que alguém interprete do seu jeito — ensina hoje Sandra. — Uma das importâncias desse disco é a interpretação do amor, seja ele do jeito que for. O amor de quando você está puto, de quando você tá apaixonado, de quando você está namorando alguém, ou o amor pela sua vida, pela sua pele, como é em “Olhos coloridos”, que eu fiz questão de ter nesse disco. Gravado no estúdio da RCA em Copacabana (hoje Companhia dos Técnicos), “Sandra Sá” trouxe Sullivan e Massadas e a segurança da tríade de músicos/arranjadores Júnior Mendes, Lincoln Olivetti e Robson Jorge, que naquele disco incorporaram de vez a eletrônica digital, o som da época, de sintetizadores e programações de bateria. — É a evolução consciente, aquele lance de você usar a máquina e não a máquina usar você. A galera sabia usar a máquina e ela foi muito bem usada — garante a cantora que, em “Não vá”, acabou inadvertidamente antecipando toda a sonoridade do pagode pop dos anos 1990. — Eu tô sempre na frente e as pessoas não entendem! Se eu for cantar o samba, vou cantar com a minha verdade. Meu termômetro é o arrepio. O disco da boneca foi feito num ambiente muito leve, muito gostosão. Ele é a Sandra naquele momento. Todinha, todinha, todinha. “Sandra Sá” proporcionou grandes momentos, dos quais a cantora não esquece. — Uma coisa de que eu sinto falta é que a gente andava mais junto. Às vezes ia lá para casa o pessoal do RPM, do Capital Inicial... era todo mundo muito junto. E tinha o (programa do) Chacrinha, onde iam Roberto Carlos, Marcos Sabino, Joanna, o Cauby Peixoto, o Djavan... ia tinha todo mundo — suspira ela, que recebeu do Velho Guerreiro, por aquele LP, o primeiro Disco de Ouro de sua carreira. — O Chacrinha não me chamava de Sandra. Ele me apresentava assim: “A negona que estourou oito milhões de músicas na parada de sucessos!” Sandra de Sá recebe o primeiro disco de ouro da carreira no programa Cassino do Chacrinha — Foto: Divulgação/Fernando Seixas
Sandra Sá: ‘Eu tô sempre na frente e as pessoas não entendem!’
Cheia de novidades, cantora se permite voltar, no festival Doce Maravilha, ao LP de 40 anos atrás, que ampliou seu sucesso de musa black e valeu a ela a fama de grande cantora romântica






