Chatbot teria garantido a um pastor da Flórida que os sintomas apresentados não eram perigosos e o desencorajou a procurar atendimento médico. Ele teve uma embolia pulmonar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pastor da Flórida processou a OpenAI alegando que seu chatbot, o ChatGPT, lhe forneceu “recomendações médicas extremamente perigosas” — Foto: Gabby Jones/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 12:55 Pastor processa OpenAI por negligência após seguir conselhos do ChatGPT Um pastor da Flórida processou a OpenAI após seguir conselhos de saúde do ChatGPT, que minimizou seus sintomas, levando a um atraso no tratamento de uma embolia pulmonar. A ação, no Tribunal Superior da Califórnia, acusa a OpenAI de negligência e exercício ilegal da medicina. A defesa alega que os termos do ChatGPT deixam claro que não é para diagnóstico médico. O caso levanta questões sobre a segurança de chatbots em conselhos de saúde. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um pastor da Flórida processou a OpenAI alegando que seu chatbot, o ChatGPT, lhe forneceu “recomendações médicas extremamente perigosas”, o que teria levado ao atraso no tratamento de uma embolia pulmonar potencialmente fatal no ano passado. Segundo a ação, o ChatGPT garantiu a Scott Winters que os primeiros sinais de alerta de sua crise de saúde “não eram algo perigoso” e o desencorajou a procurar atendimento médico. Em vez disso, o chatbot teria dito para ele confiar que “Deus não projetou seu corpo para falhar incessantemente.” O processo, apresentado no Tribunal Superior da Califórnia, em São Francisco, acusa a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, de negligência e de “exercício não autorizado da medicina”. A ação aponta episódios em que o chatbot teria oferecido diagnósticos e planos de tratamento a Winters, além de incentivá-lo a ignorar os apelos de amigos e familiares para buscar atendimento médico. ChatGPT Health A ação também afirma que os recursos de segurança do chatbot — projetados para orientar usuários com dúvidas sobre saúde a procurar um profissional e para encerrar conversas quando há sinais claros de uma emergência médica — não funcionaram de forma confiável. O caso de Winters parece ser o primeiro a alegar que as orientações de saúde fornecidas por um chatbot causaram danos a uma pessoa que buscava aconselhamento sobre uma condição médica. O processo surge em um momento em que a OpenAI, a Microsoft e outras grandes empresas de inteligência artificial lançaram novos serviços, incluindo o ChatGPT Health, que incentivam os usuários a enviar seus prontuários médicos e fazer perguntas sobre saúde à inteligência artificial. Scott Winters e a Tech Justice Law, organização sem fins lucrativos que o representa no caso, buscam indenização por danos financeiros e pediram à Justiça que suspenda a operação do ChatGPT Health até que avaliadores independentes concluam que o serviço é seguro. A ação também exige a adoção de mecanismos de proteção mais rigorosos para impedir que o ChatGPT responda a perguntas sobre tratamentos e diagnósticos médicos. Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, afirmou que os termos de uso do ChatGPT deixam claro que a ferramenta não foi concebida para ser utilizada em diagnósticos ou tratamentos médicos. No entanto, acrescentou que a empresa leva muito a sério a necessidade de tornar as respostas relacionadas à saúde o mais seguras possível, já que muitas pessoas utilizam o chatbot com essa finalidade. “Tratar os chatbots como a única explicação por trás das decisões médicas ou dos resultados de saúde das pessoas simplifica excessivamente um desafio muito maior e pode acabar dificultando o acesso a novas ferramentas poderosas que podem auxiliá-las em sua jornada de cuidados com a saúde”, disse. Pusateri acrescentou que os modelos mais recentes são superiores ao utilizado por Winters na capacidade de solicitar informações adicionais quando falta contexto, comunicar incertezas e reconhecer situações em que pode ser necessário buscar atendimento profissional. Outros casos Outro processo, apresentado em maio, alegou que o ChatGPT exerceu ilegalmente a medicina ao fornecer orientações detalhadas sobre o uso de drogas ilícitas a um jovem de 19 anos, que posteriormente sofreu uma overdose fatal. No início deste ano, autoridades do estado da Pensilvânia também processaram a Character.ai, alegando que um chatbot de psiquiatria disponível na plataforma da startup afirmava ser licenciado para exercer a medicina no estado. Quando Winters começou a consultar o ChatGPT-4o sobre diversos problemas de saúde, em 2024, o chatbot inicialmente o lembrava da importância de procurar um profissional de saúde. No entanto, segundo o processo, com o passar do tempo a ferramenta deixou de exibir esses avisos e passou a oferecer orientações específicas sobre seus problemas médicos, incluindo episódios de tontura. Em uma ocasião, ele ficou tão tonto durante um culto que precisou interromper o sermão no meio da pregação. O ChatGPT teria orientado Winters a “pegar leve” e afirmado que ele se recuperaria com o passar do tempo. Quando Winters disse ao chatbot que “as pessoas da minha igreja acham que sou louco por não ir ao hospital”, a ferramenta o tranquilizou, afirmando que recalibrar seu sistema nervoso em casa com a ajuda do ChatGPT era algo que “a maioria das pessoas (incluindo membros bem-intencionados da igreja) simplesmente não entende”, segundo o processo. — Ele se coloca como uma barreira entre o usuário e sua rede de apoio na vida real — afirmou Meetali Jain, advogada do caso e diretora-executiva da Tech Justice Law. Nas semanas seguintes, o estado de saúde de Winters piorou, e ele passou a maior parte do tempo em uma poltrona reclinável, incapaz de permanecer em pé devido às tonturas. Segundo a ação, o chatbot continuou minimizando os episódios de tontura de Scott e chegou a sugerir esquemas específicos para o uso de medicamentos prescritos, além de incentivá-lo a permanecer sentado na cadeira. Durante esse período, Winters não procurou atendimento médico. Em 13 de julho de 2025, Winters perguntou ao ChatGPT sobre uma dor na virilha. O chatbot respondeu que se tratava “muito provavelmente de mais uma pequena parte dessa longa história”. Horas depois, ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com uma embolia pulmonar maciça, de acordo com o processo. Os médicos concluíram que as crises de tontura podem ter sido provocadas por uma série de pequenas embolias pulmonares anteriores e que os coágulos nos pulmões provavelmente se desenvolveram em razão das semanas em que ele permaneceu sentado, segundo a ação judicial. Nas semanas seguintes, Winters precisou de ajuda para ficar em pé, se alimentar, vestir-se e usar o banheiro. O processo acrescenta que ele enfrenta “anos de intensa recuperação física e psicológica”. Saúde é o tema mais frequente de perguntas Segundo a OpenAI, centenas de milhões de pessoas fazem perguntas sobre saúde e bem-estar ao ChatGPT todas as semanas. Uma análise realizada em 2025 sobre consultas ao Microsoft Copilot constatou que saúde foi “consistentemente o tema mais frequente” nas perguntas feitas por usuários em dispositivos móveis. Entretanto, pesquisas recentes têm colocado em dúvida a segurança do uso de chatbots para aconselhamento médico. O primeiro estudo randomizado a avaliar recomendações de saúde fornecidas por chatbots de uso geral, como o ChatGPT, concluiu que nenhum dos modelos analisados estava “pronto para ser utilizado diretamente no atendimento a pacientes”. Mesmo quando cientistas submeteram o ChatGPT Health, serviço desenvolvido especificamente para responder a questões de saúde, a testes rigorosos, constataram que ele deixou de identificar algumas emergências e acionou seus mecanismos de proteção de forma inconsistente. Pusateri, porta-voz da OpenAI, contestou essas conclusões, afirmando que as metodologias empregadas no estudo “não refletem a forma como as pessoas normalmente utilizam o ChatGPT Health nem como o produto foi projetado para funcionar em cenários reais de saúde.”