No início da semana, o PP anunciou a saída do candidato a vice-governador na chapa do presidente da Alerj; movimento já antecipava a posição neutra que o partido adotaria no cenário nacional Ruas perdeu apoio de legendas e precisará correr contra o tempo para remontar chapa ao Palácio Guanabara — Foto: Foto: Thiago Lontra/Alerj O isolamento do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem afetado o palanque do postulante bolsonarista ao governo do Rio de Janeiro, o presidente da Assembleia Legislativa fluminense (Alerj), Douglas Ruas. Assim como ocorre no cenário nacional, com partidos do Centrão rompendo alianças com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para adotar uma neutralidade na disputa presidencial, Ruas também perdeu o apoio dessas legendas e precisará correr contra o tempo para remontar a chapa ao Palácio Guanabara. No início da semana, o PP anunciou a saída do candidato a vice-governador na chapa do presidente da Alerj, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa. O movimento já antecipava a posição neutra que o partido adotaria no cenário nacional, dias depois. Já o União Brasil, sigla federada com o PP, ainda não comunicou oficialmente o desembarque do palanque de Flávio e de Ruas. No entanto, integrantes da federação e do próprio PL afirmam, nos bastidores, que isso é questão de tempo. Por conta do tipo de coligação que o União tem com o PP, as duas siglas são obrigadas a adotar o mesmo posicionamento. Isto é, precisam decidir em conjunto se vão fazer parte da aliança de algum candidato ou não. No caso do União Brasil no Rio, oficialmente o partido ainda está na chapa de Ruas, ocupando uma das vagas de candidato ao Senado com o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella. A candidatura do político, contudo, não deve ir à frente devido à prisão recente dele por porte irregular de armas. Canella foi preso em meados de julho pela Polícia Federal, após agentes acharem com o ex-prefeito um fuzil de calibre restrito, além de revólver, pistolas e grande quantidade de munição. Canella foi solto dias depois de ser preso, mas cumpre medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica. Ele também é investigado pela PF por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro usando postos de gasolina na região metropolitana fluminense. Apesar de o ex-prefeito negar as acusações, aliados têm o aconselhado a desistir da corrida ao Senado e tentar uma cadeira na Alerj. Mesmo que a saída de Canella da chapa de Ruas não seja necessariamente ruim para o pré-candidato, uma vez que reduz o desgaste de ter um investigado ao seu lado, o desembarque do União Brasil e do PP afeta o tempo de TV que o presidente da Alerj terá na campanha. Neste sentido, dirigentes do PL fluminense ainda tentam negociar com a federação partidária para mantê-la no palanque de Ruas, ainda que ela não esteja com Flávio na disputa presidencial. Porém, membros do PP e do União Brasil no Rio avaliam que as chances de ficarem com o PL no Rio são baixas. Com a neutralidade, a federação vai liberar seus integrantes a apoiarem informalmente quem eles quiserem, e já há gente dos dois partidos falando com o principal adversário de Ruas na corrida pelo governo do Rio, o ex-prefeito da capital fluminense Eduardo Paes (PSD). De acordo com aliados, o próprio Rogério Lisboa tem conversado com o Paes, de quem ele sempre foi próximo, para apoiá-lo na eleição. Na visão de um integrante do PP, o problema não é Ruas, mas “a circunstância em que ele se encontra na política”. “Ele está pagando o preço pelo Flávio”, diz o político, sob reserva. O progressista afirma ainda que o presidente da Alerj também ficou desgastado pelo imbróglio judicial que envolve a sucessão do governo no mandato atual — que ainda precisa ser definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — e pelas constantes operações policiais contra deputados estaduais que ocorreram nos últimos meses. Diante desse cenário, o entorno de Ruas se apressa para encontrar um novo vice para o presidente da Alerj. Em conversas reservadas, eles admitem que não conseguiram fazer isso antes da convenção do PL que vai oficializar Ruas como candidato. O evento está marcado para esta sexta-feira (24). Pelas regras eleitorais, o vice poderá ser escolhido até o fim do prazo das convenções partidárias, que termina em 5 de agosto. Há duas opções à mesa para o PL: tentar uma solução caseira, escolhendo um vice do próprio partido, ou oferecer a vaga para outras siglas. Esse segundo cenário é a preferência de alguns integrantes dos partidos, que mantêm conversas com o Mobiliza, Avante e Agir. A cúpula do PL também tenta trazer para o palanque o Solidariedade, embora o presidente da sigla, o deputado federal Aureo Ribeiro, tenha comparecido à convenção que oficializou Paes candidato. Apesar do isolamento de Ruas, dirigentes do PL minimizam impacto na campanha e acreditam que o pré-candidato ainda é competitivo na disputa pelo Guanabara. Eles acreditam que, assim que o período eleitoral começar oficialmente, o presidente da Alerj passará a ser mais conhecido devido à propaganda eleitoral e ganhará mais tração nas pesquisas de intenção de voto. O entorno de Ruas também aposta na rejeição de Paes pelo Estado para vencer o pleito. “A proporção de quem conhece e vota no Ruas é muito maior do que a de nossos adversários. Ruas é um candidato extremamente preparado, nós vamos superar a barreira do desconhecimento. O eleitor vai escolher entre quem trouxe o Rio para esse estado nos últimos 30 anos e quem fez o que o Douglas fez nos últimos três e pode fazer nos próximos oito”, afirma o presidente do PL municipal, Bruno Bonetti. Fator Republicanos Partido com o qual o PL negociava uma eventual aliança, o Republicanos anunciou nesta semana que seu candidato ao governo será o ex-governador Anthony Garotinho. Apesar da definição da sigla significar que eles não estarão no palanque do Ruas, a ala mais pragmática do entorno do presidente da Alerj viu a definição com bons olhos. Na avaliação desses estrategistas, ter o ex-chefe do Guanabara na disputa pode arrastar a eleição para o segundo turno, dando mais fôlego para Ruas crescer no pleito.
Isolamento nacional de Flávio Bolsonaro afeta palanque de pré-candidato do PL no Rio
No início da semana, o PP anunciou a saída do candidato a vice-governador na chapa do presidente da Alerj; movimento já antecipava a posição neutra que o partido adotaria no cenário nacional
















