Grupo francês de defesa e aeroespacial recebeu encomendas no valor de 12,47 bilhões no período, alta de 21%, e registrou alta de 7,8% nas vendas, para 10,95 bilhões de euros O grupo francês de defesa e aeroespacial Thales informou, nesta quinta-feira (23), um salto de 21% nas encomendas no primeiro semestre de 2026 e margens de lucro acima do esperado, à medida que a escalada dos conflitos ao redor do mundo elevou os gastos militares. O grupo informou que recebeu encomendas no valor de 12,47 bilhões de euros (US$ 14,2 bilhões) nos primeiros seis meses do ano, alta de 21% e muito acima da previsão dos analistas, que apontava para crescimento de 1%. Segundo comunicado da empresa, o total incluiu 18 encomendas superiores a 100 milhões de euros cada, superando o desempenho registrado no ano passado. “O rearmamento da defesa europeia é real e está chegando”, afirmaram analistas do Citi, destacando que a forte entrada de encomendas provavelmente contribuiu para o fluxo de caixa livre de 1,87 bilhão de euros, muito acima dos 470 milhões de euros esperados pelo consenso de analistas divulgado pela Thales. O lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) ajustado aumentou 11,4% em base orgânica, para 1,37 bilhão de euros, também acima das expectativas dos analistas, impulsionado pelas margens mais elevadas nas divisões de defesa e aeroespacial, compensando o desempenho mais fraco das áreas de cibersegurança e soluções digitais. “Observamos pela primeira vez que as margens da divisão de defesa ficaram significativamente acima de 13%, atingindo 13,9% no primeiro semestre”, disseram analistas da Jefferies em relatório. As vendas do maior grupo europeu de eletrônicos para defesa cresceram 7,8% em base orgânica, para 10,95 bilhões de euros, em linha com o consenso de analistas fornecido pela empresa. A divisão de defesa, responsável por mais da metade das vendas do grupo, avançou 13,1%. No início deste mês, a Thales elevou suas metas de entrada de encomendas e de geração de caixa para 2026, aumentando sua relação “book-to-bill” — que compara a entrada de encomendas com a receita — de 1,0 para 1,1. A empresa também manteve a projeção de crescimento orgânico das vendas entre 6% e 7% e a margem de Ebit ajustado entre 12,6% e 12,8%. O diretor-presidente da Thales, Patrice Caine, afirmou que a constelação europeia planejada de satélites de comunicação segura, chamada Iris, representa uma “enorme oportunidade” para a empresa. Segundo ele, a disposição da Alemanha de tornar sua própria constelação complementar ao Iris, em vez de concorrente, é um sinal positivo, disse durante teleconferência com analistas. A Alemanha vem trabalhando em sua própria constelação em parceria com Airbus, Rheinmetall e OHB, o que levantou preocupações sobre uma possível fragmentação dos esforços europeus. Questionado sobre as perspectivas do sistema de defesa aérea SAMP-T NG, desenvolvido pela Thales em conjunto com a fabricante europeia de mísseis MBDA, Caine afirmou que o sistema supera o concorrente Patriot, fabricado nos Estados Unidos, e leva vantagem por ter entregas previstas para cerca de 2028, contra 2032 no caso do Patriot. “Agora, a influência política dos Estados Unidos pode reequilibrar essas vantagens”, disse ele, acrescentando que, ainda assim, o SAMP-T NG possui uma lista substancial de potenciais clientes. A concorrência entre o SAMP-T NG e o Patriot se intensificou com a guerra da Rússia na Ucrânia, à medida que os governos europeus correm para adquirir esses sistemas, criando um mercado potencial de bilhões de euros em encomendas. Radar de combate terrestre portátil Ground Observer 12, da Thales — Foto: Divulgação/Thales
Thales registra salto nas encomendas do primeiro semestre com aumento dos gastos em defesa
Grupo francês de defesa e aeroespacial recebeu encomendas no valor de 12,47 bilhões no período, alta de 21%, e registrou alta de 7,8% nas vendas, para 10,95 bilhões de euros












