Empenho de professora para educar rapper é inspiração para Olimpíada Nacional de Redação Linguagem e Ação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O rapper Emicida — Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 20:41 "Olimpíada Nacional de Redação: Combate ao Analfabetismo Funcional" A crise de alfabetismo funcional no Brasil motivou a criação da Olimpíada Nacional de Redação Linguagem e Ação, que ocorrerá em agosto, com foco na reflexão sobre a pobreza. Inspirada pela história do rapper Emicida e sua professora Rita de Cássia, a iniciativa visa conectar estudantes ao texto e promover o letramento crítico. Com apoio tecnológico, busca-se alcançar escolas em todo o país, ampliando o impacto educacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Existe uma crise silenciosa nas escolas públicas brasileiras que o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024 tornou impossível de ignorar: nove em cada dez adultos no país não sabem ler e escrever com proficiência. Não é um dado sobre analfabetismo, mas sobre exclusão. É o custo civilizatório de gerações que frequentaram a escola, mas nunca encontraram lá uma ponte entre o texto e uma vida plena. É nessa lacuna que nasce a Olimpíada Nacional de Redação Linguagem e Ação, que terá sua primeira edição em agosto. O tema direcionador será a pobreza, assunto raramente tratado em sala de aula. Compreender suas causas estruturais e possíveis soluções não deveria ser privilégio reservado a economistas ou policy makers. É um exercício de cidadania que deve começar cedo, respeitando a inteligência dos estudantes. Quem abre esse caminho com rigor é a economista Esther Duflo, fundadora do J-PAL, professora do MIT e vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2019. Reconhecida mundialmente pelo combate à pobreza, Duflo foi além da academia ao escrever livros infantojuvenis, ilustrados por Cheyenne Olivier, que traduzem para crianças conceitos econômicos complexos. No Brasil, a obra ganhou uma camada essencial: comentários de Emicida, que conectam as histórias à nossa realidade e dialogam com os leitores. O artista também está na Olimpíada, na qual sua presença não é figurativa; é, ela mesma, um argumento. No Festival LED de 2022, Emicida disse algo marcante: — Eu existo porque teve uma professora teimosa que correu atrás de mim dentro do bueiro. Ele contou como sua professora Rita de Cássia adaptou as aulas com histórias em quadrinhos para que ele se engajasse. Não era tecnologia de ponta. Era presença. Era a decisão de não desistir de um aluno. Ter o Emicida no projeto é amplificar essa história. Uma vida construída pelo domínio da palavra e pelo poder da narrativa como instrumento de transformação pessoal e coletiva. Para crianças que chegam às escolas, invisíveis aos olhos de um sistema que não foi desenhado para elas, a mensagem é direta: a escrita transforma, o texto salva. Com essa visão, o concurso tem dois objetivos complementares: viabilizar a conexão entre estudante e texto como experiência real de elaboração de pensamento e levar à reflexão genuína sobre a pobreza. Se não desenvolvermos essa capacidade crítica já na escola, construir um futuro justo e próspero será ainda mais difícil. Há um terceiro elemento: a tecnologia. Embora a conectividade seja um desafio, o Indicador Escolas Conectadas (Inec) do MEC aponta que mais de 100 mil escolas públicas têm internet adequada — 72,9% da educação básica. Essa estrutura será mobilizada pela Letrus para, por meio de sua plataforma e programa pedagógico, fazer a Olimpíada chegar a todo o país, identificar pontos de evolução dos estudantes e gerar diagnósticos para professores. Assim como Rita de Cássia foi a presença que não desistiu de Emicida, o professor continua sendo o fator fundamental na aprendizagem. O que a IA faz no concurso é aliviar o peso da correção manual e agregar uma camada analítica de informações e orientações que fortalece o que se espera da atuação docente: tempo para presença, escuta e profundidade. O Linguagem em Ação quer plantar a semente de um letramento emancipador. Há muitos Emicidas nas nossas escolas públicas e muitas Ritas à espera de apoio para encontrá-los. O projeto existe para que esse encontro aconteça com mais frequência, tendo o texto como território compartilhado de descoberta e transformação. *Thiago Rached é cofundador e CEO da Letrus, edtech brasileira reconhecida pela Unesco e pelo Fórum Econômico Mundial como referência no uso de IA na aprendizagem