Peças restantes após crime serão transferidas para outra ala da instituição, na Galeria Richelieu 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 MInistra da Cultura francesa, Catherine Pegard, na reabertura da Galeria de Apolo, no Museu do Louvre — Foto: Lou Benoist/Pool/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O espaço reabriu sem expor objetos de valor após o assalto de 2025, que gerou prejuízo de 88 milhões de euros. As joias restantes serão transferidas para outra ala. Sem as peças históricas, o foco da visitação passa a ser a arquitetura do século XVII. O salão serviu de inspiração para a famosa Galeria dos Espelhos de Versalhes. Embora os suspeitos do crime tenham sido presos, as relíquias levadas continuam desaparecidas. O episódio revelou falhas de segurança e causou a demissão da antiga diretora. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Por volta das 9h desta quarta-feira (22), foram reabertas as portas douradas da Galeria Apolo do Museu do Louvre, palco de um ousado roubo de joias históricas em outubro de 2025. Mas a galeria não vai mais expor nenhum objeto de valor, já havia avisado a direção do Louvre, o museu mais visitado do mundo. Nos próximos meses, a coleção de joias que ficava no espaço deve deve ser reinstalada na Galeria Richelieu. A AFP registrou que um dos primeiros visitantes foi justamente uma policial: Alison Leslie, oficial aposentado de Edimburgo. Galeria Apolo reabre no Louvre, mas sem joias, depois de roubo em outubro 1 de 5 Visitantes na agora esvaziada Galeria Apolo, reaberta na quarta-feira (22), nove meses depois de roubo de joias da Coroa Francesa — Foto: Lou Benoist/AFP 2 de 5 "Apolo derrota a serpente Píton", marco do romantismo francês, de Eugene Delacroix, no teto da Galeria Apolo, reaberta na quarta-feira (22) — Foto: Lou Benoist/AFP X de 5 Publicidade 5 fotos 3 de 5 Visitantes na Galeria Apolo, do Louvre: espaço também inspirou Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes — Foto: Lou Benoist/Pool/AFP 4 de 5 Ministra da Cultura da França, Christophe Leribault, conversa com jornalistas na reabertura da Galeria de Apolo do Louvre, de onde foram roubadas joias avaliadas em 88 milhões de euros — Foto: Lou Benoist/Pool/AFP X de 5 Publicidade 5 de 5 Visitante olha para pinturas na Galeria de Apolo, no Louvre. Galeria foi reaberta nove meses depois de roubo de joias — Foto: Lou Benoist/Pool/AFP Ala com pintura de Delacroix no teto não terá mais exposição de objetos valiosos "Vim aqui especialmente para isto", disse à AFP a policial aposentada escocesa. "É magnífico, exatamente como me lembrava", continuou Leslie, frequentadora assídua do museu, aliviada por reencontrar sua "sala favorita", mesmo que vazia. Sem as joias, as atrações da Apolo são o salão em si, com um piso de madeira com padrões geométricos e pinturas e decorações nas paredes e no teto. No fundo da galeria, um portão agora bloqueia o acesso à varanda com vista para o Sena, o ponto de entrada dos ladrões que invadiram o museu em 19 de outubro de 2025, com a ajuda de um guindaste. A quadrilha levou oito joias da Coroa Francesa, incluindo o diadema da Imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão III, último monarca francês. O diadema foi posteriormente recuperado danificado. O museu estima o prejuízo em 88 milhões de euros. Os suspeitos foram presos, mas os objetos roubados continuam desaparecidos. As joias restantes foram retiradas da galeria. "Esta não é uma galeria vazia; é a galeria como era usada, em sua função do século XVII como um local para passear", disse o diretor do Louvre, Christophe Leribault, à imprensa, na reabertura. Leribault observou que originalmente, a "grande galeria de apartamentos" abrigava apenas algumas peças de mobiliário e tapetes. "Esta é uma oportunidade para redescobrir sua arquitetura e a decoração desta galeria", afirmou o historiador de arte e ex-diretor do Palácio de Versalhes. "É o nosso Salão dos Espelhos." "Nem sempre olhávamos para sua decoração, estando tão atraídos pelas Joias da Coroa", comentou a Ministra da Cultura, Catherine Pégard. "Esta galeria não era tão voltada para a decoração", observou. O roubo expôs uma série de falhas de segurança, levando à demissão da antecessora de Leribault, Laurence des Cars. Desejo do rei sol A Galeria Apolo foi construída por ordem de LuÍs XIV, monarca absolutista que apreciava ser comparado ao deus solar dos gregos - e que também ficou conhecido como o "rei sol". Ela foi erigida em uma parte do Louvre que foi atingida por um incêndio quando o Louvre ainda era um palácio real. Luís XVI, com 23 anos, que havia escolhido recentemente o sol como emblema, encomendou o projeto de reconstrução ao arquiteto Louis Le Vau. A decoração ficou com Charles Le Brun, que tinha o cargo oficial de Primeiro Pintor do rei. A galeria serviu de laboratório de experimentação estética e arquitetônica, como informa o museu. E vinte anos mais tarde, serviria de modelo para um ícone do classicismo francês: a Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes. Le Brun decorou o teto abobadado com pinturas de Apolo conduzindo sua carruagem pelo céu. O eixo central do espaço descreve a jornada do deus grego do sol, marcando os diferentes momentos do dia, cercada de imagens e símbolos de elementos influenciados pelas variações da luz e do calor solares (as horas, os dias, os meses, as estações, os signos do zodíaco e os continentes). Depois que Luís XIV trocou o Louvre por Versalhes como sede da corte, a galeria ficou em segundo plano e foi concluída apenas em 1850, sob a direção do arquiteto Félix Duban. Para decorar o centro do teto, Duban chamou o pintor romântico que se tornou o maior nome do romantismo francês - Eugéne Delacroix criar uma pintura de 12 metros de largura, "Apolo vencendo a serpente píton", um manifesto do Romantismo - um movimento que está ligado também à insatisfação com a ordem estabelecida que esteve por trás da Revolução Francesa que derrubou o absolutismo consolidado por Luís XIV. As paredes receberam tapeçarias retratando 28 monarcas e artistas que construíram e embelezaram o Palácio do Louvre ao longo dos séculos.