O E195-E2 tem consumo de combustível cerca de 30% menor por assento em relação a gerações anteriores da família, característica que o torna competitivo em rotas de médio alcance 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Aeronave E195-E2, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 09:20 Aquisição de Jatos Embraer pela Gol Intensifica Disputa Regional Aérea no Brasil A compra de até 45 jatos Embraer E195-E2 pela controladora da Gol, Grupo Abra, aquece a disputa por voos regionais no Brasil. O modelo oferece eficiência de combustível e pode reinventar rotas domésticas, tornando-as viáveis para aviões menores. A expectativa é que as frotas da Gol se diversifiquem além dos Boeings e Airbus, ampliando sua presença regional e respondendo à concorrência da Azul e Latam. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Grupo Abra, controlador da Avianca, da Gol e da Wamos Air, fechou acordo com a Embraer para a compra de até 45 aeronaves, sendo 20 jatos E195-E2 em pedido firme, mais 10 opções e 15 direitos de compra. A expectativa é que os jatos passem a integrar as frotas regionais da Gol, o que ampliaria a diversificação de uma companhia historicamente composta só por Boeings e que recentemente incorporou Airbus A330 aos voos intercontinentais. A informação foi antecipada pela Bloomberg na segunda-feira e confirmada nesta terça durante a Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um dos principais eventos do setor aeroespacial mundial. A entrega da primeira aeronave está prevista para o quarto trimestre de 2027. O negócio com a Abra ainda está sujeito ao cumprimento de condições adicionais, segundo comunicado da fabricante. — O fato de a empresa estar revendo um dogma importante não significa que esteja abandonando totalmente o paradigma low cost. A Gol sempre foi uma companhia que prezou a concorrência via custos, sempre se manteve muito competitiva em relação às rivais, com despesas por assento menores do que as da concorrência, e até menores do que as dela própria, quando mais jovem — avalia o professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Alessandro Oliveira, coordenador do Núcleo de Economia do Transporte Aéreo (Nectar-ITA). Gol e Latam correm atrás da Azul O E195-E2 tem consumo de combustível cerca de 30% menor por assento em relação a gerações anteriores da família, característica que o torna competitivo em rotas de médio alcance. Na avaliação de Oliveira, o principal efeito da aeronave não estaria no custo operacional isolado, mas na capacidade de reorganizar a malha aérea doméstica, abrindo rotas hoje inviáveis para jatos maiores. — A introdução do E195-E2, não só na Gol, mas em qualquer malha de companhia aérea, amplia as possibilidades de desenvolvimento de rotas e de exploração de novos mercados. Uma empresa acostumada a operar apenas jatos de fuselagem larga passa a ter condições de atender mercados menos densos, mas também lucrativos, e ainda de melhorar a qualidade da oferta nos mercados que já atende, principalmente os de média densidade — diz o especialista. E2 da Azul — Foto: Divulgação Como exemplo, ele cita cidades de porte médio hoje atendidas com poucos horários porque nem todos os voos enchem um Boeing 737, que era o único modelo operado pela Gol até pouco tempo. Com um jato menor, a companhia poderia manter a cobertura de horários sem operar com assentos ociosos, testando a demanda antes de eventualmente voltar a usar aeronaves maiores. A Azul é hoje a única companhia doméstica a operar aeronaves da Embraer, posição consolidada desde a aquisição da TRIP, no início dos anos 2010, quando passou a combinar E-Jets e turboélices ATR 72 para dominar o mercado regional. Mas esse cenáriojá tinha data para acabar após a Latam anunciar a chegada do E2 até o final deste ano, e agora a Gol seguindo o mesmo caminho. Para Oliveira, a tendência é que as três companhias passem a disputar diretamente os mercados regionais de maior densidade, enquanto a Azul deve manter a posição dominante nas rotas menos densas — cenário que, segundo ele, depende sobretudo da manutenção do crescimento econômico do país para sustentar demanda suficiente para os três operadores. — A aeronave é um instrumento de grande flexibilidade para companhias que desejam explorar novos mercados e novas possibilidades de negócio. Mas não se deve esquecer que existe uma negociação política de fundo: o governo tem claramente uma intenção de política industrial nesse mercado, e a compra da Embraer também funciona como fomento ao setor aeronáutico brasileiro — diz o professor. Instrumento de política industrial A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou, em nota, que pretende criar uma força-tarefa para viabilizar a operação das novas aeronaves assim que forem entregues, a depender do cronograma da Embraer. Para o diretor-presidente da agência, Tiago Faierstein, a compra pode ampliar a presença da Gol na aviação regional brasileira. — A aviação regional precisa ser desenvolvida no nosso país. Temos então duas excelentes notícias. A indústria nacional ampliando a sua participação no mercado mundial e a aviação regional brasileira podendo ganhar um reforço muito importante — disse Faierstein. O movimento ocorre em meio à discussão sobre liberalização do transporte aéreo na América do Sul, com o Acordo Alas entre países do bloco e a possibilidade, ainda distante, de flexibilização de acordos bilaterais que hoje limitam a cabotagem doméstica por empresas estrangeiras. Esse cenário, segundo Oliveira, reforça o interesse das companhias brasileiras em ampliar e diversificar frotas antes de uma eventual abertura do mercado regional sul-americano. A Embraer também vendeu, na mesma feira, cinco unidades do E195-E2 para a espanhola Binter e outras três para a luxemburguesa Luxair, o que eleva a 30 o total de novos pedidos firmes no terceiro trimestre. Somadas as opções e direitos de compra dos três contratos (30 no total), o potencial de encomendas pode chegar a 58 aeronaves.
Compra de jatos da Embraer pela dona da Gol aquece disputa das aéreas brasileiras por voos regionais
O E195-E2 tem consumo de combustível cerca de 30% menor por assento em relação a gerações anteriores da família, característica que o torna competitivo em rotas de médio alcance












