Essencial para baterias veiculares, níquel superou cobre como mineral associado ao maior número de denúncias, diz estudo — Foto: Divulgação Denúncias de violações de direitos humanos e danos ambientais ligadas às cadeias globais de minerais críticos da China estão aumentando, e a Indonésia concentra mais casos do que qualquer outro país devido à rápida expansão de sua indústria de níquel, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (22). O estudo foi elaborado pelo Business & Human Rights Resource Centre (BHRC), ONG sediada no Reino Unido, que monitora denúncias relacionadas a investimentos de empresas chinesas em cadeias de suprimento de 11 minerais essenciais para a transição energética. O levantamento reúne casos registrados em 24 países entre 2023 e 2025. Segundo o relatório, o número de denúncias cresceu ano após ano. A Indonésia liderou com 96 dos 326 casos identificados no período, seguida pela República Democrática do Congo (52), Myanmar (36), Sérvia (32) e Zimbábue (20). Quase todos os casos indonésios estão ligados ao setor de níquel, que recebeu bilhões de dólares em investimentos de empresas chinesas, incluindo a fabricante de baterias CATL. O fluxo de capital ajudou a transformar o país no maior produtor mundial do metal, amplamente utilizado em aço inoxidável e baterias para veículos elétricos. As denúncias envolvem desde condições de trabalho inseguras, com registros de acidentes fatais, até poluição em áreas de mineração e processamento nas ilhas de Sulawesi e Molucas. O episódio mais grave citado pelo relatório ocorreu em 2023, quando um forno de uma fundição de níquel operada pela Indonesia Tsingshan Stainless Steel, subsidiária do grupo chinês Tsingshan, explodiu em Morowali, na província de Sulawesi Central, matando 21 pessoas. “O níquel superou o cobre como o mineral associado ao maior número de denúncias”, afirma o BHRC, que também aponta um aumento de casos relacionados ao lítio, outro metal-chave para baterias de veículos elétricos. A expansão da presença chinesa nas cadeias globais de minerais críticos tem sido acompanhada por questionamentos sobre condições de trabalho e impactos ambientais. Para Michael Clements, diretor-executivo do BHRC, ainda existe uma “lacuna entre os compromissos assumidos pelas empresas e sua implementação prática”. Na Indonésia, organizações locais afirmam que os resultados do relatório não surpreendem. Imam Shofwan, da Rede de Defesa da Mineração da Indonésia, criticou a velocidade com que o governo promoveu a industrialização do níquel para inserir o país na cadeia global de veículos elétricos. Uma das principais preocupações é a proliferação de fundições que utilizam a tecnologia chinesa de lixiviação ácida de alta pressão (HPAL). Segundo Ian Hiscock, pesquisador do Energy Shift Institute, esse processo gera grandes volumes de resíduos potencialmente tóxicos, e o armazenamento inadequado pode contaminar o solo e os recursos hídricos. Pesquisadores indonésios identificaram substâncias cancerígenas em áreas próximas a depósitos de rejeitos de HPAL. O relatório também menciona três mortes desde 2025 associadas ao rompimento de barragens de rejeitos. Hiscock alertou que, mantido o ritmo atual de expansão, o volume de rejeitos das fundições de níquel que utilizam HPAL poderá ser dez vezes maior nos próximos cinco a dez anos. “Sem armazenamento adequado, haverá mais mortes, contaminação de sistemas hídricos e destruição de ecossistemas”, afirmou. Representantes do setor argumentam que o aumento da fiscalização levou empresas a reforçarem padrões de segurança e gestão ambiental. A Nikkei Asia procurou companhias chinesas citadas no relatório, mas não obteve resposta. Entre as empresas que enviaram comentários ao BHRC, a Lygend Resources afirmou cumprir as leis e regulamentos locais, a Dexin Steel disse estar comprometida com a melhoria contínua da segurança e dos direitos humanos, e a Zhejiang Huayou Cobalt declarou seguir padrões indonésios e internacionais. Especialistas e ativistas, contudo, avaliam que os avanços ainda são insuficientes diante da recorrência de acidentes, do aumento de doenças respiratórias associadas à poluição e dos impactos sobre atividades como agricultura e pesca nas regiões afetadas.
Indústria do níquel na Indonésia concentra denúncias contra empresas chinesas, diz estudo
Indústria do níquel na Indonésia concentra denúncias contra empresas chinesas, diz estudo








