Um político e seu marido festejam o nascimento do filho gerado por uma barriga de aluguel. O problema? Ele era o líder do grupo parlamentar que representa a democracia cristã em um país em que o método é proibido. Um veto que, como político, trabalhou para manter até quando a gestação já estava em curso.
Jens Spahn, um dos homens-chave do governo Friedrich Merz, renunciou no último fim de semana, gerando uma crise política e renovando o debate sobre reprodução na Alemanha.
"Percebi que minha felicidade pessoal —formar uma família com meu marido e me tornar pai— é incompatível com meu cargo político", escreveu Spahn na carta em que informou sua saída aos colegas da União, o grupo parlamentar formado pela CDU de Merz e a CSU, sua equivalente estadual na Baviera.
Nas redes sociais, o primeiro-ministro classificou a decisão de "correta e inevitável". "A credibilidade é o bem mais precioso na política." Dias antes, o chefe de governo havia parabenizado Spahn pelo nascimento da criança. A polêmica ainda não havia se instalado.
Spahn, 46, um conservador linha-dura que tinha peso na coalizão de governo montada por Merz, no ano passado, chegou a tentar emplacar uma explicação para sua atitude. Em entrevista ao tabloide Bild, jornal mais popular do país, afirmou que viveu um conflito interno "por muito tempo, inclusive sobre a questão da barriga de aluguel".











