Em 7 de julho de 1956, nasceu em São Paulo um jornal feito de papel, tinta, convicção e exílio. Chamava-se Portugal Democrático e se tornaria o mais importante e duradouro órgão da oposição portuguesa no mundo. Criado por exilados como Vítor de Almeida Ramos e Manuel Ferreira Moura, ligados ao Partido Comunista Português, o jornal logo ultrapassou qualquer limite partidário. Tornou-se ponto de encontro de democratas de muitas origens: republicanos, liberais, socialistas, comunistas, anarquistas, católicos, intelectuais e trabalhadores unidos pela recusa ao fascismo de Salazar e Caetano.
O Portugal Democrático circulou até 1975, um ano depois da Revolução dos Cravos. Durante quase duas décadas, funcionou como uma oficina política e cultural da resistência. Não era apenas um jornal que informava. Era um espaço de articulação, denúncia, solidariedade e criação de vínculos. Suas páginas guardavam discursos, análises, apelos, protestos, manifestos. Não havia ali a falsa neutralidade de quem observa a opressão de longe. Havia compromisso. O jornalismo, naquele caso, era também uma forma de combate.
Instalado na capital paulista, o jornal viveu com poucos recursos e muita persistência. Dependia de doadores, de amigos, da solidariedade de setores progressistas brasileiros, do movimento estudantil e de intelectuais e acadêmicos que compreenderam a dimensão internacional daquela luta. Entre eles estiveram Florestan Fernandes, Carlos Guilherme Mota, Fernando Novais, Caio Prado Jr. e Paulo Duarte, além de tantos outros que fizeram da universidade não uma torre isolada, mas uma trincheira de pensamento e ação.






