Certa manhã de novembro de 2024, Shayne Coplan, fundador da Polymarket, acordou com uma visita inesperada. Um grupo de agentes do FBI invadiu seu apartamento em Nova York com um aríete, buscando evidências de apostas ilegais em sua plataforma.
Nas redes sociais, Coplan minimizou a operação, classificando-a como um ataque com motivação política por parte do governo Biden. Mas, em conversas privadas, ele e seus assessores expressaram suspeitas sobre um culpado diferente, a quem atribuem muitos dos problemas da Polymarket: Tarek Mansour, CEO da Kalshi, a maior concorrente de Coplan no crescente mercado de previsões.
A empresa de Mansour de fato desempenhou um papel. Nos meses que antecederam a operação do FBI, os advogados de Kalshi se reuniram com promotores federais em Manhattan para expressar preocupações sobre a Polymarket, de acordo com quatro pessoas com conhecimento das discussões, que não haviam sido divulgadas anteriormente. Os advogados explicaram como a plataforma da Polymarket funcionava, disse uma das pessoas, e destacaram um fato importante: os clientes podiam usá-la nos Estados Unidos, onde supostamente era proibida.
Foi um momento de agressividade máxima em uma disputa latente entre Kalshi e a Polymarket, duas das startups mais promissoras do setor de tecnologia. O choque entre fundadores ambiciosos não é novidade no Vale do Silício, onde brigas movidas por egos são tão comuns quanto os coletes acolchoados corporativos. Uber e Lyft lutaram para dominar o mercado de transporte por aplicativo, e a troca de farpas entre bilionários, como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, tornou-se uma trama secundária intrigante no mundo da inteligência artificial.








