Decisão de juiz federal impede remoção de passageiro que estava na van de Lorenzo Salgado Araujo e determina que ele permaneça no sul do Texas enquanto pedido de liberdade é analisado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Familiares se abraçam junto a um memorial improvisado para Lorenzo Salgado Araujo no local onde ele foi baleado por um agente do ICE em Houston, em 8 de julho de 2026 — Foto: Meridith Kohut / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 17:39 Juiz dos EUA impede deportação de testemunha chave em caso de morte por agentes do ICE Um juiz federal dos EUA proibiu a deportação de Jose Trinidad Rojas Pliego, testemunha do caso de Lorenzo Salgado Araujo, morto por agentes do ICE em julho. A decisão impede sua transferência enquanto o pedido de libertação é analisado. Rojas, cidadão mexicano nos EUA desde 1998, é crucial para o caso. Outros dois passageiros também apelaram à Justiça. O incidente destaca tensões em áreas de forte presença imigrante em Houston. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um juiz federal dos Estados Unidos determinou que o Departamento de Segurança Interna (DHS) não deporte uma das testemunhas do caso envolvendo a morte de Lorenzo Salgado Araujo, baleado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Houston, no início de julho. A decisão foi tomada após o advogado de Jose Trinidad Rojas Pliego apresentar uma petição pedindo sua libertação da detenção migratória, argumentando que ele é uma testemunha importante do episódio. As informações são do site local The Texas Tribune. A ordem, assinada na segunda-feira (20) pelo juiz distrital Keith P. Ellison, também impede que Rojas Pliego seja transferido para outra unidade do ICE fora do Distrito Sul do Texas enquanto o pedido estiver em análise, salvo autorização expressa da Justiça. O Departamento de Segurança Interna, responsável por supervisionar o ICE, não comentou a decisão até o momento desta publicação. Segundo o site, a petição apresentada pela defesa argumenta que Rojas Pliego é cidadão mexicano e vive nos Estados Unidos desde 1998, sem antecedentes criminais. O documento afirma ainda que ele mantém união estável com uma cidadã americana, com quem tem três filhos e quatro enteados, todos cidadãos dos EUA. O homem permanece sob custódia do ICE desde o tiroteio ocorrido em 7 de julho. Atualmente, ele está detido no Centro de Processamento do ICE em Montgomery, localizado em Conroe, ao norte de Houston. Na ação, a defesa sustenta que ele "não representa risco de fuga nem perigo para a comunidade". Agentes do ICE são enviados para patrulhas em aeroportos dos EUA 1 de 7 Agentes no embarque do Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta — Foto: John Falchetto / AFP 2 de 7 Agentes no Aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque — Foto: TIMOTHY A. CLARY / AF X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Agentes no Aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque — Foto: TIMOTHY A.CLARY / AFP 4 de 7 Passageiros aguardam no Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey — Foto: kena betancur / AFP X de 7 Publicidade 5 de 7 Passageiros aguardam no Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey — Foto: kena betancur / AFP 6 de 7 Agentes do ICE aturão em aeroportos dos EUA a partir de segunda-feira, com o objetivo de aliviar o congestionamento crescente nas inspeções de segurança, segundo autoridades. — Foto: John Falchetto / AFP X de 7 Publicidade 7 de 7 Agente no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque — Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP Trump anunciou no domingo envio do ICE aos principais aeroportos Além de Rojas Pliego, os outros dois passageiros que estavam na van dirigida por Lorenzo Salgado Araujo também recorreram à Justiça para tentar deixar a detenção migratória. Daniel Tirado Pantoja, que chegou aos Estados Unidos vindo do México em 1996, afirma não possuir histórico criminal e vive em união estável com uma residente permanente legal. Ele é pai de um cidadão americano e padrasto de outra cidadã americana. Já Victor Hugo Salgado Araujo, irmão da vítima e ocupante do banco da frente da van no momento do tiroteio, também apresentou um pedido semelhante. Sua advogada, Ruby Powers, solicitou que a petição fosse mantida sob sigilo, alegando que a ampla repercussão do caso pode expor seu cliente e seus familiares a possíveis atos de retaliação ou intimidação. Relembre o caso Lorenzo Salgado Araujo foi morto por agentes do ICE no estado do Texas, no dia 7 de julho. Segundo a versão oficial, que não foi comprovada de maneira independente, o homem estava em situação irregular nos Estados Unidos, e tentou fugir dos agentes antes de ser baleado. No entanto, a investigação confirmou que ele era turista nos EUA. Em comunicado, o ICE afirmou que "agentes tentavam deter um homem durante uma operação de imigração quando ele supostamente tentou escapar da prisão, colidiu com um veículo do órgão e usou seu carro para tentar atropelar um agente". O texto identifica o homem como Lorenzo Salgado Araujo, cidadão mexicano que estaria em situação migratória irregular, e acrescenta que um agente efetuou os disparos "em legítima defesa". "O homem foi levado a um hospital, onde posteriormente morreu em decorrência dos ferimentos", relata o comunicado. Falando à emissora Telemundo Houston, Ronaldo Salgado, que se identificou como filho de Lorenzo Salgado Araujo, confirmou que o homem baleado era seu pai, e que ele estava procurando trabalhadores na área antes de ser morto pelos agentes do ICE. O incidente em uma área onde há forte presença de imigrantes em Houston se soma às dezenas de casos de violência envolvendo a polícia migratória americana desde o ano passado, quando o retorno de Donald Trump à Presidência lhe deu novos e ampliados poderes. Não raro, os relatos oficiais do ICE contrastam com o que realmente ocorreu. Em janeiro, Renee Good e Alex Pretti foram mortos em protestos contra operações migratórias, e após terem sido acusados de atacar os agentes — e chamados de "terroristas domésticos por Trump —, as imagens confirmaram que eles não apresentavam qualquer tipo de ameaça às forças de segurança. Em março, Ruben Ray Martinez foi morto em uma abordagem de trânsito da qual o ICE participou. Os três eram cidadãos americanos, e os responsáveis pelos disparos não foram punidos.