Um menino de 9 anos foi mantido pelo pai dentro do carro da família, na cidade francesa de Hagenbach, por mais de um ano. Segundo reportagem do UOL, a escola "arquivou o seu processo" ao ser informada pela família de que ele seria escolarizado de outra forma. Nesse contexto, seria necessário o acompanhamento do serviço social, o que não ocorreu. A saída da criança da escola contribuiu para torná-la invisível ao sistema e, consequentemente, mais exposta à violência.

Apesar de o caso ter ocorrido na França, os números de violência interpessoal contra crianças de 0 a 14 anos no Brasil são elevados. Segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) do Ministério da Saúde, em 2025, foram reportados quase 50 mil casos. Entre 2009 e 2025, quase 68% dos casos ocorreram no domicílio. Médicos e professores, que mantêm contato mais direto com as crianças, conseguem perceber quando há algo errado. A escola, nesse sentido, torna-se não apenas um lugar de aprendizagem e socialização, mas também um espaço seguro.

Essa situação acende um sinal de alerta sobre o projeto de lei do deputado federal Lincoln Portela (PL - MG), aprovado na Câmara e atualmente em tramitação no Senado, que regulamenta o homeschooling (educação domiciliar). O projeto estabelece que a educação domiciliar seja realizada sob a responsabilidade dos pais ou responsáveis, sem romper o vínculo do estudante com o sistema de ensino. Para isso, a criança ou adolescente deve permanecer matriculado em uma instituição de ensino, que acompanhará sua aprendizagem, enquanto o poder público continuará responsável pela supervisão de seu desenvolvimento educacional. O projeto não especifica como será realizada essa supervisão nem seu custo.