Iniciativas são parte da estratégia de ampliar a grade de serviços a pequenas e médias empresas Na sua estratégia de ampliar a grade de serviços a pequenas e médias empresas, a XP vai estrear no segmento de credenciamento para vendas com cartões de pagamentos e Pix, nas “maquininhas” batizadas como XP Pay. Em paralelo, o grupo que nasceu oferecendo só investimentos começa a colocar na rua seu próprio cartão de crédito PJ, com a bandeira Visa. O desenho replica a lógica testada no segmento de pessoa física, há cinco anos. Vem com um limite de crédito flutuante associado ao volume de investimentos das companhias e um “investback” de até 1,2% dos gastos num fundo DI, e sem cobrar anuidade. Cada empresa poderá ter até seis cartões adicionais. O foco inicial são os 100 mil clientes ativos da base de pequenas e médias empresas da XP, com faturamento anual de até R$ 30 milhões, e para o seu “middle”, que vai até R$ 500 milhões. Para aquelas que ainda não têm investimentos na XP para oferecer como colateral, será atribuído um limite “clean”, sem garantia, num volume que depende do perfil de cada PJ e do fluxo que a companhia consegue enxergar de contas a pagar e receber. O volume agregado não foi dimensionado pelos executivos da XP, hoje, em coletiva de imprensa. “À medida que aporta recursos, o cliente pode escolher quanto de colateral vai para o limite dele”, disse Ciro Moreira, chefe de cartões da XP. No negócio de credenciamento de lojistas, a XP começa com uma parceria com a Fiserv, empresa global de tecnologia de pagamentos, que vai levar aos lojistas e a outros prestadores de serviços uma maquininha de captura de cartões branca da marca Clover, nas versões móvel, mini, além do terminal de balcão, agregando funções de gerenciamento de caixa e que conversam com a automação pré-existente. A licença de adquirência propriamente é da Fiserv, mas com os preços na ponta definidos pela política da XP, que tem a liberdade de, em qualquer momento, virar a chave para ela própria ter a sua empresa de pagamentos, comentou Frederico Souza, vice-presidente da Fiserv. O valor do aluguel da maquininha ainda está em fase de finalização, disse Felipe França, gerente de produtos de gestão de caixa da XP, mas será “competitivo” em comparação aos terminais inteligentes, que hoje rondam a casa dos R$ 50 a R$ 60 por mês. As taxas de desconto cobradas dos lojistas e outros prestadores de serviços em transações de crédito, débito e nos vouchers de refeição e alimentação não foram abertas. “A oferta de valor vai além da maquininha, mas não adianta não ter um preço competitivo”, disse Souza, citando que, com o relacionamento com a XP, as empresas poderiam até ter custo zero de aluguel. “Depende da reciprocidade, do relacionamento”, acrescentou França. A aposta é que o “investback” seja um dos atrativos para conquistar a fidelidade do cliente PJ que costuma trabalhar com vários bancos e fintechs. Outro diferencial, disse França, é o canal de distribuição, que conta não só com o digital, mas com a proximidade de 20 mil assessores de investimentos. Assim como a própria XP, essa base começa a fazer a transição para atender não só a pessoa física em aplicações financeiras, mas também demandas dos clientes empresários. “A XP segue o plano iniciado em 2024, com o lançamento da conta digital”, reforçou França. Entre os pilares de crescimento da XP, a companhia já é competitiva em distribuição, investimentos e em câmbio. Na grade voltada às PJs, ainda faltava povoar a oferta com produtos de qualidade, disse Philipe Pelegrino, chefe da XP Empresas. À medida que enxerga o fluxo de recebíveis do cliente nas maquininhas, a instituição fica apta a levar a antecipação de crédito na ponta e, ao mesmo tempo, tem o assessor que ajuda na melhor alocação para o caixa. Ele disse haver uma divisão entre três perfis no segmento: o cliente tomador, o transacional e o investidor. A busca é uma maior intersecção entre esses três. No início do mês, análise do BTG Pactual, apontou que a XP pode estar no começo de uma guinada em seu modelo de negócios para fortalecer a franquia de crédito e serviços bancários de atacado. Na visão da equipe que cobre o setor financeiro, liderada por Eduardo Rosman, trata-se de uma mudança que pode redefinir a tese de investimentos no próximo ano. Diante da persistência de uma Selic alta por mais tempo, a avaliação é que a XP pode acionar o seu plano B e se lançar na expansão do balanço patrimonial por meio de crédito corporativo. Essa foi uma sinalização dada pelo CEO da XP, Thiago Maffra, em conversa com os analistas na Expert XP do ano passado. Enquanto o mercado de cartões para pessoa física se desenvolveu aceleradamente, com 60% de penetração, o uso pelas empresas ainda é relativamente baixo, comentou Marcela Pinori, vice-presidente de soluções comerciais da Visa. Ela estimou que, na PJ, só 8% das companhias usem o meio de pagamento para as suas compras do dia a dia. “O lançamento do cartão junto com adquirência é um golaço, porque o empresário não acorda todo dia pensando em milhas, mas em como ganhar dinheiro para o seu negócio.” Em contrapartida, o cliente PJ costuma ser 11 vezes mais rentável do que a pessoa física com a contração de outros produtos bancários, disse, com base em inferências derivadas de um estudo global da bandeira. — Foto: Divulgação