Torneios de e-sports, que antes reuniam público pequeno, hoje enchem estádios e atraem audiência comparável à de esportes tradicionais, e o setor de games acompanha essa virada de perto. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Richard Lucas da Silva Miranda — Foto: Divulgação Há poucos anos, assistir a uma partida de videogame como espectador soava estranho para quem estava fora do universo gamer. Hoje, torneios como o CBLOL, campeonato brasileiro de League of Legends, reúnem público comparável ao de competições esportivas tradicionais, tanto presencialmente quanto em transmissões online. Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, publisher brasileira de jogos digitais, acompanha essa transformação de perto e vê nela uma mudança mais profunda do que apenas o crescimento de audiência. Eventos do setor de games no Brasil também refletem esse movimento. Encontros presenciais que antes reuniam público de nicho hoje atraem multidões, com centenas de milhares de visitantes ao longo de poucos dias, reunindo jogadores, espectadores e empresas do setor em um mesmo espaço. "Jogo multiplayer deixou de ser sobre jogar sozinho contra a máquina. Virou sobre competir, torcer, assistir. Isso muda completamente a forma como um jogo precisa ser pensado desde o início do desenvolvimento", diz o empresário. De passatempo solitário a experiência coletiva Boa parte dos jogos mais populares do momento, no Brasil e no mundo, foi desenhada desde a concepção para funcionar em grupo, seja em equipes competindo entre si, seja em experiências cooperativas entre amigos. Essa mudança de design reflete uma transformação de comportamento: jogar deixou de ser apenas uma forma de entretenimento individual e passou a funcionar também como espaço de convívio social, competição e até identidade de comunidade. Richard Lucas da Silva Miranda observa que esse movimento trouxe consequências diretas para quem desenvolve jogos hoje. Um projeto pensado para multiplayer competitivo exige sistemas de progressão, equilíbrio entre jogadores e infraestrutura técnica que um jogo solo simplesmente não precisa considerar. Por que assistir virou tão importante quanto jogar? Um fenômeno que acompanha a ascensão dos jogos multiplayer é o crescimento da audiência que apenas assiste, sem necessariamente jogar. Transmissões de partidas competitivas em plataformas de streaming atraem milhões de espectadores, muitos dos quais nunca jogaram o título que estão assistindo. "Isso é parecido com o que acontece no futebol: você não precisa jogar bola para torcer por um time e acompanhar cada jogo. Os games criaram esse mesmo tipo de relação com uma nova geração de espectadores", afirma Richard Lucas da Silva Miranda. O impacto dessa virada no desenvolvimento de novos jogos Estúdios que planejam lançar um jogo competitivo hoje precisam pensar não apenas na experiência de quem joga, mas também na experiência de quem assiste. Isso influencia decisões de design, como a clareza visual de uma partida, a facilidade de acompanhar o placar e o ritmo do jogo. Richard Lucas da Silva Miranda destaca que essa dupla preocupação, com quem joga e com quem assiste, já influencia decisões de design mesmo em projetos que não nascem necessariamente como jogos de e-sport profissional. O que essa mudança representa para o público brasileiro? O Brasil já é o maior mercado consumidor de games da América Latina, e boa parte desse consumo hoje passa por experiências multiplayer e competitivas. Eventos presenciais do setor têm registrado crescimento expressivo de público ano após ano. Essa dimensão social também aparece fora dos grandes eventos, no dia a dia de quem joga. Grupos de amigos que se reúnem virtualmente para jogar juntos, comunidades organizadas em torno de um título específico e transmissões caseiras assistidas por dezenas de pessoas são expressões dessa mesma virada cultural. Para Richard Lucas da Silva Miranda, essa mudança de comportamento do público brasileiro representa uma oportunidade real para estúdios nacionais que conseguirem entender e incorporar essa lógica coletiva desde o início do desenvolvimento de um projeto.
Jogos multiplayer deixaram de ser nicho e viraram parte do cotidiano de milhões de brasileiros, e Richard Lucas da Silva Miranda acompanha essa virada no setor de games
Torneios de e-sports, que antes reuniam público pequeno, hoje enchem estádios e atraem audiência comparável à de esportes tradicionais, e o setor de games acompanha essa virada de perto.








