Projeções para este ano e 2027 ficaram quase estáveis, mas para 2028 subiram de 3,7% para 3,78% na pesquisa Focus, do Banco Central com agentes financeiros O aumento nas expectativas para a inflação brasileira em 2028 na última semana chamou a atenção, segundo o Itaú Unibanco. Na pesquisa Focus, do Banco Central com agentes financeiros, divulgada na segunda-feira (20), a projeção para inflação passou para 5,15% em 2026, de 5,16% uma semana antes, e manteve-se em 5,2% para 2027. Para 2028, no entanto, ela subiu para 3,78%, de 3,7% na semana anterior. "Na margem, para 2026 e 2027, parece ter estabilizado. O que chama a atenção é 2028, especialmente o forte aumento nesta semana", afirmou Julia Gottlieb, economista do banco, ao participar de encontro com jornalistas nesta terça--feira (21), em São Paulo. Ela disse ser difícil avaliar o que está por trás do movimento e ponderou que pode haver questões mais técnicas, sobre o preenchimento das projeções, do que de fundamentos econômicos. "Talvez menos pessoas tenham respondido e, aí, uma resposta muda muito a foto. Vamos ver como vai ser, mas chama a atenção esse movimento no Focus para 2028", afirmou. Colocando as informações atuais no modelo do Banco Central, incluindo a curva Selic indicada no Focus, a inflação no horizonte da autoridade monetária estaria em 3,2%, mas, mantendo a curva parada em 14,25%, ficaria abaixo de 3%, segundo Gottlieb. "Se está dando abaixo de 3%, comporta corte. Ainda dá para cortar, mas o espaço acaba sendo relativamente limitado", afirmou. O Itaú Unibanco espera um corte adicional de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, levando a taxa básica de juros para 14% ao ano. Mas a subida das expectativas de inflação para 2028 "inspira cautela" para o BC, segundo Gottlieb. Para a economista, o Comitê de Política Monetária (Copom) não indicou um alongamento do seu horizonte relevante ao comunicar sua última decisão. "Acho que foi algo específico daquela reunião", afirmou. Julia Gottlieb, do Itaú: espaço para cortes da Selic acaba sendo relativamente limitado — Foto: Divulgação