Peter Szijjarto, ex-chanceler da Hungria e atual executivo da BYD, ao lado do chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi — Foto: Reprodução: Nikkei Asia A renúncia do ex-ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, ao Parlamento para assumir um cargo executivo na fabricante chinesa de veículos elétricos BYD aumentou as preocupações sobre o possível acesso a informações sensíveis e sua gestão de dados confidenciais. “Recebi uma excelente oferta de uma empresa líder mundial”, escreveu recentemente Szijjarto, aliado próximo do ex-primeiro-ministro Viktor Orban, em uma rede social. “Continuarei minha carreira como executivo responsável pelas relações externas do grupo empresarial.” O governo de direita de Orban estreitou os laços com a China nos últimos anos, atraindo investimentos nos setores de veículos elétricos e baterias automotivas. A BYD está construindo uma fábrica na Hungria e planeja iniciar as operações ainda neste ano. Como negociador, Szijjarto teve participação central nas negociações com Pequim. Na quinta-feira (16), o primeiro-ministro húngaro Peter Magyar afirmou que havia “suspeitas de conflitos de interesse” envolvendo Szijjarto e indicou que uma investigação provavelmente seria aberta. Também permanecem preocupações relacionadas à segurança. O acesso anterior de Szijjarto a informações diplomáticas confidenciais levanta a possibilidade de que dados sobre a União Europeia e outros temas tenham sido compartilhados com a China. Pela legislação chinesa, empresas privadas não podem se recusar legalmente a fornecer informações solicitadas pelo governo em questões relacionadas à segurança nacional. Szijjarto também é suspeito de ter vazado informações para a Rússia. No fim de março, registros de conversas telefônicas entre ele e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, vieram a público. Segundo o veículo independente russo de investigação The Insider e outras fontes, Szijjarto teria informado Lavrov sobre discussões do Conselho de Relações Exteriores da União Europeia durante intervalos de reuniões e compartilhado detalhes sobre possíveis sanções contra a Rússia. Os dois teriam discutido estratégias para dificultar o apoio da União Europeia à Ucrânia, e Szijjarto teria dito a Lavrov: “Estou sempre à sua disposição”. Magyar criticou duramente os supostos vazamentos, classificando-os como um ato de “traição”, e afirmou que as autoridades estavam investigando o caso.