A chegada do El Niño é 100% garantida, como apontam institutos de meteorologia como a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA). A intensidade do fenômeno, no entanto, ainda é incerta. Com base nessa incerteza, o mercado mundial de commodities vai viver momentos de grande especulação, a partir de agora.

A participação financeira no setor deverá ser mais decisiva para a volatilidade dos preços do que os fatores de oferta e demanda de produtos. Os fundos de investimentos já começam a marcar presença no setor, se antecipando aos possíveis efeitos climáticos.

O El Niño, principalmente se for de grande intensidade, sempre traz efeitos para o setor agropecuário. Esses efeitos, no entanto, são regionalizados. Enquanto afetam muito determinadas áreas, com redução de chuva, podem beneficiar outras, desde que essas chuvas não venham em excesso.Daniele Siqueira, analista da AgRural, diz que o fenômeno não traz grandes impactos à produtividade média mundial, como mostram os números de 2015/16, quando ocorreu o El Niño mais intenso dos últimos anos. Enquanto o Centro-Oeste brasileiro pode ser afetado, o Sul do Brasil, o Paraguai e a Argentina se beneficiam com a presença de mais chuvas. Já nos Estados Unidos, grande produtor de grãos, o efeito sobre a produtividade é limitado.