Quando os dois filhos pequenos de Nur Kalima perguntam onde está o pai, ela diz que ele voltará em breve. Na realidade, porém, ela está convencida de que ele está morto há semanas.

Ela diz acreditar que seu marido, Abdul Rahman, estava em um dos dois barcos que, segundo a ONU, naufragaram na costa de Mianmar neste mês.

As embarcações seguiam para a Malásia, onde seus passageiros, em sua maioria membros da perseguida minoria muçulmana rohingya de Mianmar, esperavam construir uma vida melhor. Na última quinta-feira (16), a ONU disse temer que mais de 500 pessoas tenham morrido.

"Quem vai cuidar de mim agora?", afirma Nur Kalima, 24, grávida do terceiro filho.

Sua família está entre mais de 1 milhão de rohingyas que vivem em campos de refugiados em Cox's Bazar, em Bangladesh, desde que foram expulsos de Mianmar por seus compatriotas há quase uma década. Eles têm pouco ou nenhum acesso à educação ou emprego, e a ajuda internacional vem diminuindo há anos.