Ao lado de Guilherme Derrite (à esq.) Flávio Bolsonaro discursa durante a convenção estadual da federação entre União Brasil e PP, em São Paulo — Foto: Caiuá Maia/Divulgação Pré-campanha Tarcísio de Freitas Ainda sem alianças fechadas para sua campanha à Presidência, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) participou nesta segunda-feira (20) da convenção estadual da federação entre União Brasil e PP em São Paulo. O senador busca o apoio dos dois partidos, que indicam tendência à neutralidade na disputa nacional, hoje polarizada entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT. A ida de Flávio ao evento foi lida como um gesto à cúpula nacional das duas legendas. "Aqui em São Paulo, a gente vai caminhar juntos, junto com outros partidos. Espero que muito em breve possamos caminhar juntos em âmbito nacional, com a federação junto conosco, porque o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT", discursou o senador. Leia mais: A convenção oficializou o apoio de União Brasil e PP à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e confirmou a indicação do deputado federal Guilherme Derrite (PP) para ser um dos candidatos a senador na chapa. Tarcísio e Derrite também compareceram ao evento, assim como o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), que concorrerá à outra vaga ao Senado. O grupo está alinhado com Flávio e deve formar um dos palanques mais importantes para o presidenciável. Ainda sem uma definição da posição dos partidos na corrida presidencial, os presidentes nacionais do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, não compareceram ao evento da seção paulista, sob a justificativa de terem outros compromissos. As falas de lideranças locais dos dois partidos reiteraram o endosso ao nome de Flávio para o Palácio do Planalto, apesar da indefinição da cúpula nacional. Em seu discurso, Derrite reforçou o apoio ao senador. "São Paulo não vai ficar neutro. Nosso candidato é o senador Flávio Bolsonaro", disse o deputado federal. Ao chegar ao local, ele declarou a jornalistas que a federação em São Paulo estará ao lado de Flávio desde o primeiro turno. "Com todo respeito à [direção] nacional, aqui em São Paulo não tem neutralidade nenhuma, a federação União Progressista é Flávio Bolsonaro", disse. Derrite afirmou ter a expectativa de que a iniciativa estimule outras siglas a aderirem à candidatura bolsonarista. O Republicanos é outra sigla que, no Estado, declara apoio ao nome do PL, mas nacionalmente deve ficar neutra. Flávio relembrou que tanto ele quanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, passaram pelo PP e disse que sentia "em casa" na convenção, realizada no plenário da Assembleia Legislativa. Durante sua fala, o presidenciável enumerou críticas ao governo Lula, citou a alta nos preços nos supermercados, reclamou da insegurança nas ruas e disse que marginais "vão tomar pau a partir de 2027", caso ele chegue à Presidência e implemente sua agenda de segurança pública. O senador buscou associar a esquerda à leniência com o crime e afirmou que o atual presidente apoia "vagabundos". Flávio ficou sentado ao lado de Tarcísio na mesa de honra e se referiu a ele, ao microfone, como amigo. Os dois conversaram, acenaram aos apoiadores e posaram para fotos. Ao discursar, o governador tratou o aliado como "próximo presidente da República" e disse ter esperança de que o governo de São Paulo poderá trabalhar alinhado com o governo federal, em caso de reeleição dele e eleição do senador do PL. "Aprendi muito com seu pai. Tive a honra de trabalhar no governo dele. Um cara muito humilde também, que quis fazer a diferença, criou um movimento, e esse movimento está aqui mais vivo do que nunca, não se cala. Tem um trabalho que ficou incompleto, mas ele vai ser retomado, porque o Brasil merece", disse Tarcísio. Depois, dirigindo-se a Flávio, completou: "Esse projeto [de Bolsonaro] hoje está sob a sua liderança, a sua responsabilidade, e você vai contar com esse exército aqui com você". Sem citar nomes, Tarcísio disparou críticas ao pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rotulando o adversário como "pior prefeito da história de SP e pior ministro da Fazenda, ou melhor, melhor ministro da Fazenda do Paraguai". "Temos um time que está escalado para fazer a diferença, e temos muito para mostrar, diferentemente do outro lado, que não tem nada para mostrar. O Estado é a potência que é porque a esquerda nunca governou São Paulo e nunca vai governar São Paulo", disse o governador, que agradeceu pelo convite da federação e chamou o evento de "arrancada" da campanha. Tarcísio e aliados relembraram, em diferentes momentos, a união dos partidos de direita e centro-direita em torno da reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que também participou da convenção. Segundo o governador, a experiência na eleição municipal de 2024 mostrou "que faz a diferença trabalhar unidos". "A gente não pode se dividir", disse Nunes. "Nós temos que votar no Derrite e no André do Prado, para garantir as duas vagas ao Senado", acrescentou o prefeito, num contexto em que a candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado é vista como uma possível pulverizadora dos votos da direita. Salles não faz parte da chapa de Tarcísio, mas tem obtido pontuação relevante nas pesquisas. "Nós conseguimos fazer uma grande união e livrar a cidade de um invasor que tinha todo o apoio do governo federal", afirmou o prefeito, em alusão a Guilherme Boulos (Psol), hoje ministro da Secretaria-Geral, e a Lula. Nunes também criticou Haddad, afirmando que "esse cara é ruim" e que o ex-ministro "não vai chegar nem perto do governo do Estado de São Paulo", numa aposta na vitória de Tarcísio. André do Prado também exaltou a unidade dos principais partidos na eleição municipal e conclamou os aliados a repetirem o modelo neste ano. Presidente da Assembleia Legislativa, ele mencionou o apoio dos parlamentares da federação União Progressista aos projetos do governo Tarcísio. "Esse time esteve desde o primeiro dia ao nosso lado, votou todos os projetos importantes para o Estado de São Paulo. A federação teve essa responsabilidade. E o que aconteceu em São Paulo tem que acontecer no Brasil, por isso Flávio Bolsonaro está aqui conosco", disse Prado.