Documento permite que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passe a viver no país por tempo indeterminado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eduardo Bolsonaro recebeu o Green Card — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/07/2026 - 19:40 Concessão de Green Card a Eduardo Bolsonaro gera polêmica na esquerda brasileira A esquerda critica a concessão de Green Card a Eduardo Bolsonaro pelos EUA, interpretando-a como recompensa por sua suposta traição ao Brasil. O documento permite que ele resida indefinidamente nos EUA, o que gerou reação negativa de políticos como Zeca Dirceu e Talíria Petrone. Eduardo, condenado pelo STF por coagir magistrados, afirma sentir-se seguro nos EUA, longe das ações do ministro Alexandre de Moraes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Políticos de esquerda criticaram nesta segunda-feira a concessão de Green Card pelos Estados Unidos ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). O documento permite que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passe a viver no país por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais para trabalhar ou estudar, por exemplo, no país. A concessão ocorre em meio a tensão entre Brasil e Estados Unidos diante das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. O movimento do governo de Donald Trump culminou em críticas do secretário de estado Marco Rubio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe. Segundo o americano, o petista "colocou seu próprio ego acima da possibilidade de fechar um acordo em benefício do bem-estar do povo brasileiro". O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) relacionou Eduardo ao tarifaço contra produtos brasileiros anunciado pelo governo de Trump na semana passada. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, escreveu que o visto permanente representa o "pagamento norte-americano pela traição". Já a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) disse que o Green Card é o "prêmio de quem se vende e tenta prejudicar o próprio país". O visto de residência permanente é um documento que se outorga aos imigrantes autorizados a estarem indefinidamente no país. A obtenção de um visto desse tipo pode demorar décadas, e requer um processo meticuloso. Após a concessão do visto permanente, Eduardo disse à coluna Igor Gadelha, do Metrópoles, que se sente "seguro" nos Estados Unidos. — Só tenho a agradecer ao governo Trump pela consideração. Segui o processo, atendi os critérios e agora chegou o resultado. Eu vim para os EUA para passar apenas alguns dias e acabei tendo que me exilar aqui por conta da perseguição no Brasil. Sinto-me seguro, pois aqui os abusos do Alexandre (de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal) não valem de nada — afirmou. No mês passado, Eduardo foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro. Eduardo foi acusado de tentar inviabilizar o julgamento da trama golpista, ocasião em que Jair Bolsonaro, seu pai, foi condenado a 27 anos de prisão. O STF impôs uma pena de quatro anos e dois meses de prisão a Eduardo, em regime inicial semi-aberto, assim como uma multa de 100 salários-mínimos. O colegiado ainda determinou a inelegibilidade imediata do ex-deputado por 8 anos, a partir da data do fim da pena. Moradia nos EUA Eduardo está fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. Ele entrou nos Estados Unidos com um visto de turista, o que lhe permitia seguir em solo americano por cerca de seis meses. O ex-parlamentar alegava supostas perseguições do Judiciário brasileiro. Para driblar as limitações do visto que possuía até então, o bolsonarista dizia à época que pretendia solicitar asilo político ao governo Trump, já que esta é uma forma de conseguir o green card. Naquele momento, Jair Bolsonaro defendeu que o filho "é muito mais útil para o Brasil lá fora do que aqui dentro". A previsão de aliados, à época, era a de que o filho 03 do ex-presidente retornaria ao Brasil em julho ou agosto deste ano, próximo às eleições, para disputar Senado por São Paulo ou compor uma chapa à Presidência com o apoio do pai. Desde então, Eduardo teve o mandato parlamentar cassado por faltas e perdeu o cargo público como escrivão da Polícia Federal.