Defesa suspeita de esquema com uso de impulsionamento, o que é proibido por lei Senadores Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, do PL — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República protocolou na sexta-feira (17) uma representação em que alega haver perfis nas redes sociais realizando o impulsionamento pago de ataques contra a pré-campanha, o que é proibido pela lei eleitoral. Os advogados e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), tiveram uma reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, nesta segunda-feira (20). "Em fevereiro, a campanha, por acidente, por acaso, detectou que alguns perfis muito pequenos, então perfis recém-criados com 30, 40 seguidores, estavam fazendo contratações de R$ 200 mil [em impulsionamento de publicações na Meta]. Isso nos levantou um sinal de alerta e nós começamos a fazer uma pesquisa manual", declarou a advogada e ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri aos jornalistas. De acordo com Bucchianeri, a quantidade de perfis envolvidos nesses supostos ataques chega a cerca de 20 mil. Ela aponta que ainda é precoce afirmar quem são os responsáveis por tais condutas antes de uma investigação. "Nós estamos falando de, em tese, quase 20 mil perfis. Evidentemente que seria impróprio analisar cada veiculação uma a uma, mas elas são majoritariamente ataques, e os senhores sabem que ataques não podem ser impulsionados. Então existe um impulsionamento ilícito. Por isso a necessidade de um perfil falso, então perfil basicamente de ataques e, assim, uma camada residual de postagens exaltando o atual governo", disse a advogada. Neste momento, o pedido da pré-campanha do PL é para a realização de uma investigação, junto da quebra de sigilo de tais perfis, e a concessão de uma liminar para que esses comportamentos sejam cessados. “É uma representação especial, que seguirá o rito previsto na Lei das Eleições. Há um pedido de medida liminar. Neste primeiro momento, precisamos verificar qual será a resposta da Justiça”, explicou Bucchianeri. “A liminar busca, essencialmente, autorizar uma investigação para identificar os responsáveis pelos fatos narrados”. Marinho, que coordena a pré-campanha, afirmou que Nunes Marques se comprometeu a analisar o caso com celeridade. “É necessária essa ação rápida do tribunal porque são perfis de redes sociais que somem rapidamente. Pedimos uma investigação", relatou o senador sobre a conversa com o magistrado.