Os colegas, por menos precisos que sejam, negarão as interferências pela urgência de aparecerem bonitos na fotografia da incansável cobrança do ministro Flávio Dino por um mínimo de respeito à Constituição.

Não se pode negar expertise a Kassab nem a Valdemar. O termo "raposa" se aplica a ambos. Mas há uma diferença temporal; ou geracional, como se diz agora. Kassab é mais contemporâneo, compreende as exigências atuais. Já Valdemar ainda está apoiado em justificativas obsoletas, hoje inaceitáveis.

Considerando que a ingenuidade não faz parte de seu rol de características, o presidente do PL foi no mínimo imprevidente e completamente arcaico ao admitir aos entrevistadores não só que interfere na indicação das emendas como considera que isso esteja no seu cardápio de atribuições.

Os jornalistas deram corda, e Valdemar se enrolou nela desconectado de dois pontos: um, a mudança dos ventos na opinião pública; outro, a ausência de percepção de que Flávio Dino estenderia aos administradores da legenda sua ofensiva por transparência no uso das emendas.

O presidente do PL desconsiderou os efeitos deletérios da ampliação de certos vícios na política; Kassab os reconhece e atua contra eles para se cacifar junto à opinião do público. É o pragmatismo adaptado aos novos tempos.