Dirigente participou das negociações indiretas com Israel que culminaram em uma trégua mediada pelos EUA em outubro de 2025, interrompendo os principais combates em Gaza Khalil al-Hayya, nomeado novo líder do Hamas — Foto: REUTERS/Mohammed Salem / Foto de Arquivo Khalil Al-Hayya, um alto dirigente do Hamas que sobreviveu a um ataque de Israel no Catar em setembro do ano passado e é visto como alguém com boas relações com o Irã, foi nomeado nesta segunda-feira como líder máximo do grupo militante palestino. Hayya se tornou cada vez mais influente no grupo à medida que outros dirigentes de alto escalão do Hamas foram mortos em ataques israelenses, entre eles Ismail Haniyeh, durante uma visita ao Irã, e Yahya Sinwar, na Faixa de Gaza. Ele esteve no centro das negociações de cessar-fogo durante toda a guerra em Gaza, iniciada quando o Hamas lançou um ataque surpresa contra Israel em 7 de outubro de 2023, desencadeando uma ampla ofensiva israelense que desde então devastou grande parte do enclave. Um filho do líder foi morto durante os bombardeios retaliatórios das forças isralenses contra Gaza. Hayya participou das negociações indiretas com Israel que culminaram em uma trégua mediada pelos Estados Unidos em outubro de 2025, interrompendo os principais combates em Gaza, embora Israel tenha continuado a atacar integrantes do Hamas e de outros grupos militantes que, segundo afirma, representam uma ameaça iminente. Uma iniciativa anterior de cessar-fogo estava na pauta das discussões entre Hayya, de 64 anos, e outros líderes do Hamas quando eles foram alvo do ataque israelense contra Doha, em 9 de setembro, no qual seis pessoas morreram, mas nenhum dos principais dirigentes do grupo. Amplamente considerado a figura mais influente do Hamas no exterior desde que Haniyeh foi morto por Israel no Irã, em julho de 2024, Hayya integra um conselho de liderança de cinco membros baseado no Catar, que dirige o Hamas desde a morte, no ano passado, de Yahya Sinwar, apontado como o mentor dos ataques de outubro de 2023. Natural da Faixa de Gaza, Hayya é um veterano do grupo islamista. Considerado próximo do Irã, uma fonte essencial de armas e financiamento para o Hamas, ele participou ativamente dos esforços do movimento para negociar diversas tréguas com Israel, desempenhando papel importante no fim do conflito de 2014 e, mais recentemente, nas tentativas de encerrar a atual guerra em Gaza. Hayya faz parte do Hamas desde sua fundação, em 1987. No início da década de 1980, ingressou na Irmandade Muçulmana, movimento islamista sunita do qual surgiu o Hamas, ao lado de Haniyeh e Sinwar, segundo fontes do grupo. Em Gaza, foi preso diversas vezes por Israel. Em 2007, um ataque aéreo israelense atingiu a casa de sua família no bairro de Shejaia, na Cidade de Gaza, matando vários parentes. Em 2008, seu filho Hamza morreu em outro bombardeio israelense. Durante a guerra de 2014 entre Hamas e Israel, a casa de seu filho mais velho, Osama, foi bombardeada, matando Osama, sua mulher e três de seus filhos. O ex-líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali khamenei, se reúne com o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, em Teerã, Irã, em 8 de fevereiro de 2025 — Foto: Gabinete do Líder Supremo Iraniano/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS Hayya deixou Gaza há vários anos e passou a atuar como principal responsável do Hamas pelas relações com o mundo árabe e islâmico, estabelecendo-se no Catar. Ele acompanhou Haniyeh a Teerã na visita de julho em que o então líder do Hamas foi assassinado. Hayya afirmou que os ataques de 7 de outubro tinham como objetivo uma operação limitada para capturar "alguns soldados" israelenses que pudessem ser trocados por palestinos presos. "Mas a unidade do Exército sionista entrou em colapso completo", disse ele, em comentários publicados pelo Centro Palestino de Informação, ligado ao Hamas, referindo-se às Forças Armadas israelenses. Segundo Hayya, o ataque conseguiu recolocar a questão palestina no centro da atenção internacional. Militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram outras 251 nos ataques, segundo dados de Israel. Desde então, mais de 73 mil palestinos morreram na ofensiva israelense em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave. Além de liderar as delegações do Hamas nas negociações mediadas para tentar obter um cessar-fogo, Hayya desempenhou outras funções políticas de destaque dentro do grupo. Em 2022, liderou uma delegação do Hamas a Damasco para restabelecer as relações com o então presidente sírio Bashar al-Assad, rompidas uma década antes, quando o movimento apoiou a revolta majoritariamente sunita contra Assad, integrante da minoria alauíta. O rompimento havia abalado uma aliança regional construída pelo Irã para fazer frente a Israel e aos Estados Unidos.
Hamas nomeia Khalil Al-Hayya como novo líder
Dirigente participou das negociações indiretas com Israel que culminaram em uma trégua mediada pelos EUA em outubro de 2025, interrompendo os principais combates em Gaza










