Acordo com a Adecoagro Vale do Ivinhema S.A. inclui contratos com fornecedores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Centro de distribuição da Raízen em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/07/2026 - 10:58 Raízen vende Usina Caarapó para Adecoagro por R$ 760 milhões A Raízen anunciou a venda da Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema S.A. por R$ 760 milhões. O acordo inclui contratos com fornecedores e visa otimizar ativos e simplificar operações. A Raízen, formada por Shell e Cosan, ainda possui 23 usinas, com capacidade de moagem de 69 milhões de toneladas. A venda aguarda aprovação do Cade e pagamento será à vista. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Raízen informou, em comunicado a investidores nesta segunda-feira, a venda da Usina Caarapó, localizada no município de Caarapó (MS), para a Adecoagro Vale do Ivinhema S.A. por R$ 760 milhões. O acordo inclui contratos com fornecedores vinculados à unidade, que processou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana na safra de 2025 e 2026. Com a venda, a Raízen ainda terá um portfólio de 23 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 69 milhões de toneladas por safra. A Raízen é uma empresa de energia integrada formada por uma parceria entre Shell e Cosan. A companhia confirmou, em junho, que fechou acordo para seu plano de recuperação extrajudicial envolvendo dívidas de R$ 64,7 bilhões. O pagamento pela usina será realizado à vista no momento de fechamento do negócio, ainda sujeito a ajustes e à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo a Raízen, essa transação está alinhada a sua estratégia de “otimização de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial”. Marcelo Simonato, sócio e vice-presidente da Board Academy, diz que a operação é parte do plano de reestruturação da companhia, que busca reduzir o seu endividamento e simplificar o portfólio após ingressar em recuperação extrajudicial. — Quando uma companhia enfrenta elevado grau de alavancagem, o maior risco passa a ser a perda de flexibilidade financeira. Nessa situação, vender ativos não estratégicos ou de menor retorno pode ser a decisão mais responsável para preservar o negócio como um todo. Ele ressalta que a Usina Caarapó era uma operação relevante e que a venda não está associada a problemas de produtividade, mas à necessidade de reequilibrar a estrutura financeira da companhia. — A venda da usina não deve ser vista isoladamente, mas como parte de um movimento mais amplo de reorientação estratégica. Se os recursos forem utilizados para reduzir alavancagem, fortalecer o caixa e concentrar investimentos nos ativos de maior retorno, a decisão pode representar um passo importante para recuperar a confiança de credores, investidores e do mercado. A verdadeira medida do sucesso dessa operação não será o preço, mas a capacidade da companhia de transformar essa liquidez em uma estrutura financeira mais saudável e em um crescimento sustentável no longo prazo. Gabriel Castro, analista de investimentos do Grupo Mide, lembra que, com a venda, a empresa encerra sua presença sucroenergética no Mato Grosso do Sul, depois de já ter vendido as usinas de Rio Brilhante à Cocal por cerca de R$ 1,5 bilhão. — Para a recuperação extrajudicial, o efeito é duplo. De um lado, o caixa imediato reforça a liquidez e dá credibilidade à promessa central do plano: encolher para sobreviver, somando-se ao aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e à venda da operação argentina. De outro, a companhia abre mão de um ativo que recebia investimentos para etanol de segunda geração.