Alta dos combustíveis se tornou um tema politicamente sensível para Trump e os republicanos, que tentam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro Posto de gasolina na Califórnia, nos Estados Unidos — Foto: REUTERS/Mike Blake Os preços da gasolina nos postos dos Estados Unidos voltaram a superar a marca de US$ 4 por galão nesta segunda-feira, à medida que a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã voltou a interromper o fluxo do Estreito de Ormuz, rota crucial para o abastecimento global de petróleo. A média nacional de preços da gasolina no varejo já subiu mais de 30% desde que EUA e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro. Hoje, o valor médio nos postos era de US$ 4,003 por galão, segundo dados da Associação Americana de Automóveis (AAA, na sigla em inglês). Os preços elevados da gasolina tornaram-se um tema politicamente sensível para o presidente americano, Donald Trump, e o Partido Republicano, que em breve iniciará a campanha para tentar manter o controle do Congresso nas eleições legislativas de novembro. A marca de US$ 4 por galão, considerada um patamar de forte impacto financeiro para muitas famílias, havia sido atingida pela última vez no fim de março, depois que o Irã interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Os preços recuaram para baixo desse nível em junho, após EUA e Irã assinarem um memorando de entendimento para encerrar a guerra. “A gasolina certamente será um fator que contribuirá para a inflação se continuarmos vendo interrupções no Estreito de Ormuz. Os combustíveis refinados, de forma geral, já enfrentam uma situação de oferta extremamente apertada devido à perda de capacidade global de refino, especialmente na Ásia e no Oriente Médio”, afirmou Alex Hodes, diretor de estratégia para mercados de energia da corretora StoneX. Os preços da gasolina acompanharam a alta do petróleo bruto, que disparou na semana passada após o colapso da trégua entre Washington e Teerã no início de julho. Os preços dos combustíveis no varejo e do petróleo bruto costumam se mover na mesma direção, pois o petróleo é a principal matéria-prima e o maior custo na produção dos combustíveis. Antes da guerra contra o Irã, cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo estreito. Hodes acrescentou que Trump provavelmente buscará adotar políticas voltadas a conter os preços da gasolina, e que a pressão por medidas deve aumentar caso os combustíveis voltem a subir antes de novembro. Os preços da energia também foram sustentados pela perda de capacidade de refino da Rússia, em razão da intensificação dos ataques da Ucrânia à infraestrutura energética do país. Os baixos estoques de combustíveis nos Estados Unidos também impulsionaram os preços. Na semana passada, os estoques norte-americanos somavam 210,5 milhões de barris, segundo dados do governo, cerca de 1,5 milhão de barris abaixo da média dos últimos cinco anos.
Preço da gasolina nos EUA volta a superar US$ 4 com retomada da guerra contra o Irã
Alta dos combustíveis se tornou um tema politicamente sensível para Trump e os republicanos, que tentam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro










