O polvo Paul foi uma das sensações da Copa de 2010. De um aquário na Alemanha, o molusco “previa” o resultado dos jogos ao escolher entre comer mexilhões depositados em duas caixas, cada uma decorada com a bandeira dos países que estavam prestes a jogar. A caixa escolhida era seu palpite. Nessa brincadeira, Paul acertou tudo, cravando a campanha da seleção alemã e o resultado da final entre Espanha e Holanda.

“O oráculo octópode, que influenciou decisivamente nas apostas, foi ouvido no mundo futebolístico com religiosa reverência e foi amado e odiado e até caluniado por alguns ressentidos, como eu: quando anunciou que o Uruguai perderia contra a Alemanha, denunciei: – este polvo é um corrupto”, escreveu Eduardo Galeano em Futebol ao sol e à sombra (L&PM), talvez sem imaginar que, dezesseis anos depois, a inocência do polvo vidente seria profissionalizada e substituída pelas empresas de apostas esportivas, as chamadas bets.

As bets foram mais dominantes que a vitoriosa Espanha de Lamine Yamal contra a Argentina de Messi. Onipresentes, movimentaram bilhões e tiveram o completo controle das finanças e das publicidades na maior Copa de todos os tempos. Com uma estimativa de 50 bilhões de dólares em apostas e cerca de 500 milhões de dólares apostados por partida, é lícito concluir que a Copa do Mundo de 2026 foi a maior – e talvez a primeira – experiência de jogos de azar envolvendo todas as regiões do planeta.