A Copa de 2026 poderia entrar para a história como aquela em que antigas colônias despacharam, na primeira rodada do mata-mata, potências como Alemanha e Holanda. Ou, ainda, a edição em que a draconiana política de “boas-vindas” do governo de Donald Trump a atletas e torcedores estrangeiros envergonhou o mundo. Mas será, acima de tudo, a “Copa das Bets”. Ainda não consolidados, os gastos com publicidade das casas de apostas durante o torneio realizado nos EUA, no Canadá e no México superam, segundo estimativas do mercado, os 20 bilhões de dólares. O retorno é garantido. De acordo com a SoftSwiss, empresa sediada em Malta e especializada no desenvolvimento de tecnologia para jogos de azar online, o volume inédito de apostas, impulsionado pelo número recorde de 48 seleções e 104 partidas, deverá ultrapassar a marca dos 55 bilhões de dólares, 77% acima dos 31 bilhões registrados no Mundial do Catar, em 2022.

O Brasil é uma das molas que impulsionam o setor. Esta é a primeira Copa após a regulamentação das bets no País, que responderá, segundo estimativa da SoftSwiss, por cerca de 10% do volume mundial de apostas. Um terço dos brasileiros (34,8% da população) fez uma fezinha desde o início da competição, três vezes mais que os 11% registrados em maio, revela um levantamento da ­fintech ­Klavi, com base em dados do Open ­Finance, sistema de integração de dados do Banco Central. As empresas legalizadas veem­ no Mundial uma oportunidade para consolidar o mercado nacional, onde cerca de 40% das bets ainda operam de forma ilegal. “O crescimento não virá apenas do apostador recorrente, mas principalmente de milhões de brasileiros que terão seu primeiro contato com plataformas reguladas durante o torneio”, diz Stefano Andrade, CEO da BB Gaming.