0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ulisses Silva, CEO e fundador da Leve Saúde — Foto: Divulgação / Thaís Monteiro RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 20:28 Leve Saúde Expande e Busca Sócio-Investidor para Crescimento Sustentável A Leve Saúde, operadora de planos de saúde fundada em 2020 por Ulisses Silva, alcançou R$ 1 bilhão em receitas anualizadas, focando em planos para pessoas acima de 45 anos e PMEs. A empresa, que operava principalmente no Rio, está expandindo para Curitiba e Sul Fluminense, além de planejar entrar no mercado da classe C com planos abaixo de R$ 300. A Leve aposta na verticalização e eficiência tecnológica para manter baixas taxas de sinistralidade e planeja adquirir o Hospital Israelita Albert Sabin no Rio. A busca por um sócio-investidor está em aberto para sustentar o crescimento frente a concorrentes como Prevent Senior e MedSênior. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No momento em que o mercado de planos de saúde desacelera após salto no pós-pandemia e as maiores operadoras jogam um “rouba-monte” de vidas, grupos emergentes crescem explorando segmentos desassistidos. Fundada em 2020 por um ex-CEO da Assim que foi diretor do Pátria Investimentos, a Leve Saúde acaba de atingir R$ 1 bilhão em receitas anualizadas com foco em planos individuais para quem tem mais de 45 anos e funcionários de PMEs (pequenas e médias empresas). Agora, a companhia de Ulisses Silva está expandindo sua área de atuação — tanto na geografia quanto na segmentação — para aumentar sua artilharia na disputa com as pioneiras do seu nicho, Prevent Senior e MedSênior. Fundada no Rio, a Leve operava até o mês passado apenas na cidade natal, onde chegou a 118 mil clientes, um crescimento de mais de 30% em um ano. (A empresa tem ainda 60 mil vidas em um plano odontológico.) No fim de junho, passou a vender planos também em Curitiba — o fundador é paranaense — e prepara a chegada a cidades do Sul Fluminense no próximo mês. Em paralelo, a operadora está gestando uma ofensiva na classe C — chegou a contratar uma antropóloga para estudar esse paciente —, mirando mensalidades abaixo de R$ 300, menos da metade da média de sua carteira hoje. — O produto vai obedecer à lógica de rede própria e uso de tecnologia para buscar eficiência. Vamos colocar esse plano no mercado no início de 2027. Será a forma de explorar um novo segmento para, depois, discutirmos para onde mais iremos no Brasil — conta Silva, que também comandou a Brasil Senior Living, de residenciais para idosos. Hospitais Embora também recorram a hospitais credenciados, a rede própria é central para a estratégia da Leve e de suas concorrentes. A ideia é “verticalizar” a operação para compensar a pressão de custos que um público mais velho representa. No caso da Leve, a companhia tem 15 clínicas e uma base para tratamento oncológico — com exceção da clínica em Curitiba, todas são no Rio. A expectativa é terminar o ano com 18 e começar a operar também hospitais completos. Segundo Silva, a Leve está em tratativas finais para comprar o Hospital Israelita Albert Sabin, unidade com 108 leitos na Tijuca, Zona Norte do Rio. A transação, em leilão judicial, é de R$ 44,7 milhões, além de R$ 30 milhões em investimentos nos próximos dois anos. — Dependemos ainda da homologação do juiz. Esperamos que até setembro tudo esteja concluído. Será nosso primeiro hospital. E estamos em negociações para comprar um segundo hospital, também na Zona Norte — explica o CEO, que tem 50% do negócio. Assim como no caso de algumas de suas rivais, a aposta na verticalização tem proporcionado taxas de sinistralidade (relação entre receita e custos médicos) menores que as do setor. A da Leve está em 62%, contra uma média de 80% entre todas as operadoras. Mas a da concorrente MedSênior está em 50%, embora 77% de seus 293 mil clientes sejam idosos. Na Leve, com seus planos de PME, a taxa de idosos é de 35%, com uma idade média de 46,9 anos. No setor como um todo, apenas 15,5% das vidas são de idosos, com uma idade média de 37 anos. — Consideramos nossa sinistralidade adequada, mas a ideia é trazê-la a 55% de forma estruturante. Mas esses números e os da MedSênior, que é hoje a operadora com a melhor taxa de rentabilidade do mercado, mostram que esse negócio para de pé. Eu, sinceramente, temia que não desse certo. Setor altamente regulado, mercado do Rio e seus problemas, pessoa física, eu mesmo com quase 60 anos… É algo do qual todos querem fugir, mas tem funcionado, porque, depois da casa própria, saúde é o principal anseio da sociedade. E o SUS não consegue atender com a qualidade de que a população precisa — observa o empresário. Investidor à vista? A Leve fechou 2025 com R$ 662 milhões em receitas, alta de 75%, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Este ano, Silva projeta fechar com mais de R$ 1,1 bilhão em receitas. Em julho, as receitas anualizadas já chegaram a R$ 1 bilhão, de acordo com ele. O desafio é que as concorrentes diretas têm mais musculatura. A Prevent Senior gera R$ 7,2 bilhões em receitas anuais e tem 551 mil vidas na carteira. A MedSênior fechou o ano passado com R$ 3,1 bilhões em faturamento, tem entre seus investidores o Temasek, fundo soberano de Cingapura, e vem sendo cortejada para abrir capital na Bolsa. No ano passado, o Valor Econômico publicou que a Leve buscava um aporte entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões, mas a transação não se concretizou. — Fizemos um ensaio no ano passado para captar, mas não aconteceu. Optamos por levantar R$ 120 milhões por meio de um FIDC (fundo de direitos creditórios). Hoje, não estamos à procura de um sócio-investidor, mas também não estamos fechados, porque a demanda do mercado continuará grande — conclui.