Só dois convocados pela seleção nesta Copa venceram o ouro olímpico em 2021 contra os espanhóis, que aproveitaram grande parte da geração de prata; argentinou mudaram rumo a partir de Copa América 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Brasil venceu ouro olímpico contra Espanha em 2021 — Foto: Anne-Christine POUJOULAT / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/07/2026 - 22:25 Brasil enfrenta desafios na transição do ouro olímpico ao Mundial Em 2021, o Brasil conquistou o ouro olímpico no futebol masculino, mas falhou na transição para a seleção principal, ao contrário de Espanha e Argentina. A Espanha, com uma base olímpica sólida, venceu a Copa do Mundo em 2026. A Argentina, sob Lionel Scaloni, manteve consistência desde 2018, conquistando títulos importantes. O Brasil, contudo, enfrentou anos de instabilidade e sem títulos, culminando em uma eliminação precoce no Mundial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ano de 2021 foi marco de trajetórias diferentes para Espanha e Argentina, que ontem disputaram a final da Copa do Mundo, e o Brasil. No mesmo Estádio Internacional de Yokohama do pentacampeonato de 2002, a seleção canarinho faturou o segundo ouro olímpico no futebol masculino em agosto, ao vencer a Fúria na final. Porém, o torneio disputado majoritariamente por jogadores sub-23, e que funciona como bom teste para os talentos de curto e médio prazo, causou efeito contrário. Além disso, três semanas antes, os brasileiros haviam visto a Albiceleste conquistar a Copa América na decisão disputada no Maracanã, quebrando um jejum de 28 anos. Confira melhores momentos da Espanha x Argentina A partida no Japão acabou significando muito mais para quem ficou com a medalha de prata, já que a base da geração olímpica daquela Espanha — incluindo até o técnico Luis de la Fuente — subiu para a seleção principal, e formou o esqueleto do título mundial. Em Nova Jersey, a equipe venceu a Argentina por 1 a 0, com gol de Ferrán Torres na prorrogação, e concluiu uma campanha invicta, de sete vitórias, um empate e um gol sofrido. Transição exemplar Oito jogadores convocados para a Copa deste ano compunham aquele elenco: o goleiro Unai Simón; os defensores Marc Cucurella e Eric García; os meias Pedri, Dani Olmo e Martin Zubimendi; e os atacantes Mikel Oyarzabal e Mikel Merino. Todos participaram do jogo que terminou no segundo título mundial do país. Contudo, o sucesso da seleção espanhola vai muito além destes nomes, já que há todo um sistema que acostuma os jogadores a defenderem a camisa vermelha desde jovens, e preserva um estilo de jogo em todas as categorias. A personificação disso é De la Fuente, que passou uma década treinando seleções de base antes de assumir o time principal no início de 2023, logo após o último Mundial. Sua passagem já havia sido marcada por um título de Eurocopa (2024) e duas finais de Liga das Nações — uma conquista (2023) e um vice (2025). Ele cresceu junto aos mesmos jogadores, mostrou saber onde utilizar grande parte deles em diversos cenários, e os conduziu à maior glória de suas carreiras. Luis de La Fuente é o técnico da Espanha — Foto: Justin Setterfield/Getty Images/AFP Já o olhar para o time que levou o ouro olímpico mostra uma história oposta. O meia Bruno Guimarães e o atacante Matheus Cunha foram os únicos remanescentes do grupo que estiveram na Copa deste ano. Vários jogadores considerados realidades, como Richarlison e Douglas Luiz, entraram em descendente, e outros como Antony, Claudinho e Paulinho, nunca deram o próximo passo. O baixo aproveitamento na transição se aplicou aos jogadores e também ao treinador André Jardine, que saiu do ecossistema do futebol brasileiro no ano seguinte ao título, quando se transferiu para o México. Bruno Guimarães perdeu pênalti na eliminação da seleção brasileira para a Noruega — Foto: ELSA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Enquanto isso, na seleção brasileira principal, a tentativa de experimento por parte da CBF ao iniciar o novo ciclo com Ramon Menezes, então treinador da equipe sub-20, no cargo de interino, foi um enorme tiro n'água. O ciclo ainda teve Fernando Diniz, conciliando o tempo com o Fluminense, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Foram anos de muita inconsistência e nenhum título. O fundo do poço foi a eliminação nas oitavas da Copa do Mundo para Noruega nas oitavas de final — a primeira vez que o país caiu nesta fase em 36 anos. Oito anos Constância foi algo que a Argentina manteve em sua estrutura desde bem antes de seu título de Copa em 2022. Afinal, Lionel Scaloni assumiu o cargo em 2018, primeiramente como interino, e um ano depois como efetivo. Após amargar uma eliminação para o Brasil na semifinal da Copa América de 2019, foi mantido e capitaneou uma histórica mudança de patamar da seleção. O título de Copa América conquistado no Brasil em 2021 deu início a uma sequência que só foi interrompida ontem, com o vice em Nova Jersey. Antes porém, chegaram os títulos do Mundial de 2022, da Finalíssima do mesmo ano, e de outra Copa América em 2024. Messi comemora a conquista da Copa América 2021 no Maracanã: seu primeiro título pela seleção principal da Argentina foi no Brasil — Foto: Carl de Souza/AFP Curiosamente, Scaloni também surgiu na seleção principal após treinar a equipe sub-20. Porém, a sintonia que ele tem com o atual grupo tem menos a ver com ter ajudado a cultivar uma geração. O treinador aprendeu a tirar o melhor de Lionel Messi e conseguiu fazer com que a equipe funcionasse em torno do astros, em uma mistura de aplicação tática e espiritualidade. Manter a base ajudou muito para que a Argentina mantivesse a competitividade mesmo em um ciclo marcado por amistosos contra equipes inferiores. A escalação da Albiceleste na final da Copa de 2026 teve apenas três mudanças em relação ao time que iniciou a decisão em 2022.
O que fizemos de errado? A transição — ou a falta dela — que separou Brasil de Espanha e Argentina em cinco anos
Só dois convocados pela seleção nesta Copa venceram o ouro olímpico em 2021 contra os espanhóis, que aproveitaram grande parte da geração de prata; argentinou mudaram rumo a partir de Copa América






