O continente africano produz mais da metade do algodão de fibra longa comercializado no mundo. Apesar de muito valorizado pela indústria têxtil, os países que cultivam esse algodão ficam com uma parcela mínima do valor gerado ao longo da cadeia produtiva, menos de 3%. A matéria-prima sai do continente junto com os melhores salários, a tecnologia, as marcas e o lucro.
Em junho, a rede jornalística allAfrica lançou a iniciativa Cotton to Cloth (do algodão ao tecido). O projeto pretende acompanhar, até dezembro, os desafios e as oportunidades para ampliar o processamento industrial do algodão no continente.
"A história que o mundo lê sobre a África custa caro ao continente, traduzindo-se em juros mais altos e menor fluxo de capitais", declara o editorial de lançamento da iniciativa. A hipótese é de que o mercado financeiro opera a partir de números, mas também de expectativas. Quem toma decisões econômicas avalia inflação, dívida pública, crescimento econômico e também estabilidade política, capacidade institucional e perspectivas futuras. E há um descompasso entre a realidade do continente africano hoje e aquilo que o mundo percebe.
Guerras, fome, epidemias, corrupção e crises humanitárias ocupam o centro da cobertura internacional sobre o continente há décadas. É evidente que tudo isso existe no continente e merece atenção jornalística. O problema é que essas costumam ser as únicas lentes para se olhar os 54 países, seus mais de 1,5 bilhão de habitantes, histórias e economias diferentes. "[...] até US$ 4,2 bilhões. Esse é o valor pelo qual estereótipos negativos difundidos pela mídia elevam os custos de financiamento soberano dos países africanos todos os anos", afirma o editorial.










