No dia da oferta de ações da SpaceX ao mercado, o BDR (recibo depositário de ações, na sigla em inglês) da empresa movimentou R$ 145 milhões em negociações na Bolsa brasileira.

Pela primeira vez, esse produto financeiro —investimento indireto em ações de empresas estrangeiras— foi lançado na mesma data do IPO (oferta pública de ações, na sigla em inglês). O valor movimentado logo na estreia ficou acima da média diária dos dez BDRs mais negociados no último ano, segundo a B3.

A perspectiva, segundo a economista Bianca Maria, gerente de produtos de equities da B3, é que seja cada vez mais comum a emissão de BDRs atrelada a novas listagens de empresas no mercado internacional. "O caso da SpaceX mostrou que o investidor brasileiro pode acessar grandes eventos do mercado internacional praticamente de forma simultânea", afirma.

Até 2020, o investimento em BDR era possível somente para investidores qualificados —quem tem mais de R$ 1 milhão em aplicações ou possui certificação técnica reconhecida pelo mercado.

Seis anos após a abertura desse produto ao varejo, há 954 mil investidores em BDRs de ações e 57 mil em BDRs de ETFs (sigla em inglês para os fundos de índice). Nos dois casos, a quantidade de pessoas físicas ultrapassa os 98%.