Após anos de debate, governo austríaco inaugura nesta semana uma unidade policial no imóvel histórico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O edifício onde Adolf Hitler nasceu em Braunau am Inn, Áustria, antes da reforma — Foto: Johannes Simon/Getty Images via Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/07/2026 - 08:21 Áustria Transforma Casa de Hitler em Delegacia para Combater Neonazismo A Áustria inaugurará uma delegacia no prédio onde Adolf Hitler nasceu, em Braunau am Inn, para evitar que o local se torne um destino de culto neonazista. Após anos de debates, a reforma de 20 milhões de euros garantiu que o edifício, protegido por leis de patrimônio, não fosse transformado em museu ou demolido. A decisão de usar o espaço para fins administrativos foi criticada, com muitos preferindo um centro de memória antifascista. O projeto reflete um esforço maior da Áustria em ressignificar locais ligados ao nazismo, reconhecendo sua participação histórica no regime de Hitler. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Áustria abrirá nesta semana uma delegacia de polícia no prédio onde Adolf Hitler nasceu, em 1889, em uma tentativa de encerrar décadas de debates sobre como impedir que o imóvel se transforme em destino de peregrinação para extremistas de extrema direita. A reforma, que custou 20 milhões de euros (cerca de R$ 127 milhões), foi realizada após a nacionalização do edifício, localizado em Braunau am Inn, no norte da Áustria, na fronteira com a Alemanha. O ministro do Interior, Gerhard Karner, deve inaugurar oficialmente a nova unidade policial na quarta-feira. Uma comissão de especialistas criada pelo governo descartou a possibilidade de transformar o imóvel em um museu, avaliando que um espaço de memória poderia ser apropriado ou distorcido por visitantes simpatizantes do nazismo. A demolição também foi rejeitada, já que o prédio, construído no século XVII, faz parte do centro histórico da cidade e é protegido por leis de preservação do patrimônio. Segundo o relatório elaborado em 2016 pela comissão, composta por 13 especialistas, o uso do endereço como delegacia garante acesso público restrito e a presença permanente do Estado, além de transmitir estabilidade e confiança à população. A decisão, no entanto, continua sendo alvo de críticas. Em uma pesquisa realizada em 2023 com mil pessoas, apenas 6% defenderam que o prédio tivesse uso administrativo. Mais da metade dos entrevistados preferia a criação de um centro dedicado à memória, ao antifascismo e à tolerância, enquanto um quarto apoiava a demolição do imóvel. Durante o regime nazista, a casa se tornou um local de veneração ao ditador, conhecida como a "Galeria Braunau na Casa Natal do Führer". Após ser devolvida aos proprietários originais em 1952, dentro do processo de restituição do pós-guerra, o governo voltou a alugá-la. Ao longo das décadas, o prédio funcionou como escola e centro de assistência social, até ser desapropriado pelo Estado em 2016, depois de anos sem utilização. O arquiteto austríaco Stefan Marte, responsável pela obra, afirmou que a reforma procurou recuperar as características originais do edifício do século XVII, em vez de apenas remover as alterações feitas durante o período nazista, em 1938. O destino da casa natal de Hitler faz parte de um debate mais amplo sobre a memória do nazismo na Áustria. Durante décadas, o país sustentou a narrativa de que teria sido apenas uma vítima da anexação pela Alemanha nazista, em 1938. Nos últimos anos, porém, a memória pública passou a reconhecer também a participação de austríacos na liderança do regime de Hitler. Em Viena, por exemplo, autoridades têm buscado ressignificar locais ligados ao nazismo. A sacada histórica do Palácio Hofburg, de onde Hitler discursou após a anexação da Áustria, permanece fechada em parte para evitar associações com o ditador, enquanto iniciativas culturais tentam dar um novo significado ao espaço. Messi diz que dinheiro dos argentinos 'não chega ao fim do mês', e Milei responde: 'totalmente verdade' Outro exemplo é a estátua do ex-prefeito Karl Lueger, conhecida por seu legado urbanístico, mas também por suas posições fortemente antissemitas. Neste ano, o monumento foi inclinado 3,5 graus durante uma reforma para contextualizar criticamente sua história. Em 2012, seu nome também foi retirado de um trecho da histórica Ringstrasse, em Viena.