Uma investigação inédita, conduzida por um jornalista francês, tem ajudado a entender um desafio ao ecossistema de informação que se aprofundou com a chegada da IA generativa.

O trabalho, que acaba de ser divulgado, identificou mais de 15 mil sites falsos gerados com inteligência artificial —e, em muitos casos, os textos trazem a assinatura de jornalistas que nem existem.

Conduzido pelo repórter investigativo Jean-Marc Manach para o site Next.ink, o levantamento mostra sites que simulam ser veículos de imprensa para publicar notícias produzidas com IA ou reescritas a partir do conteúdo de terceiros. O trabalho listou principalmente páginas em francês, mas também encontrou 1.500 sites em inglês e 200 em alemão, além de outros idiomas.

A maioria, segundo o levantamento, nem é dedicada a promover desinformação. O principal objetivo é lucrar com publicidade digital e o tráfego que vem do Google Discover, sistema de recomendação de conteúdo da big tech que é fonte relevante de audiência para sites de notícias.

Manach chegou a identificar dois casos de editores de sites falsos que lucraram mais de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) em três meses dessa forma.