Como os executivos do Google usam a IA no dia a diaSundar Pichai, Liz Reid e Koray Kavukcuoglu contam como têm utilizado a tecnologia para facilitar suas rotinas. Crédito: Lucas AgrelaGerando resumoA Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) colocou no ar uma plataforma para identificar riscos em conteúdos produzidos com uso de inteligência artificial no ambiente jurídico. Batizada de OpenDetector, a ferramenta permite que advogados verifiquem se documentos, e-mails ou respostas geradas por IA apresentam dados capazes de comprometer peças, pareceres ou decisões estratégicas. A solução é a primeira entrega do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia (PNIAA) e foi desenvolvida pela Forlex, startup brasileira especializada em IA aplicada ao Direito.Nas próximas semanas, o OpenDetector, desenvolvido pela OAB, deve ganhar uma nova função: a verificação de alucinações Foto: OAB/DivulgaçãoPUBLICIDADENa etapa inicial, o sistema identifica dois tipos de ameaça. A primeira é o chamado prompt injection, quando documentos enviados por terceiros trazem dados ocultos no material. Estas informações escondidas são capazes de manipular o comportamento da IA usada pelo advogado, levando-a a ignorar comandos originais ou executar tarefas indevidas. A segunda é o jailbreak, técnica usada para burlar mecanismos de segurança de assistentes virtuais de tribunais e de outros sistemas jurídicos baseados em IA. Nos dois casos, a ferramenta gera relatórios técnicos que podem ser usados para auditoria e rastreabilidade do processo.O lançamento ocorre em meio a casos concretos que já chegaram ao Judiciário. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a abertura de inquérito policial e de procedimento administrativo para apurar o uso de prompt injection em peças processuais, prática identificada como tentativa de manipular a IA utilizada pela Corte. Além da apuração, que inclui oitiva de advogados e escritórios envolvidos, o STJ desenvolveu um sistema próprio de IA generativa, o STJ Logos, com comandos que bloqueiam esse tipo de ataque. PublicidadeO episódio expôs como o problema já deixou de ser teórico e passou a exigir respostas institucionais tanto dos tribunais quanto da própria advocacia.Quais são os próximos passosNas próximas semanas, o OpenDetector deve ganhar uma nova função: a verificação de alucinações — quando a IA passa a se basear em informações que não existem. O recurso vai mirar respostas produzidas por ferramentas de IA jurídica que trazem citações inexistentes, jurisprudência desatualizada ou afirmações sem embasamento real, um problema recorrente na pesquisa e elaboração de peças processuais.O PNIAA é a estratégia da OAB para preparar a advocacia brasileira para as mudanças trazidas pela IA, com objetivo de ampliar o acesso a ferramentas tecnológicas e orientar um uso ético, seguro e responsável. PublicidadeLeia tambémFabio Gallo: A IA está mudando a economia mundial, mas para isso usa uma quantidade gigantesca de capitalIA ameaça primeiro emprego e pode criar apagão de profissionais experientes, aponta estudoApple processa OpenAI por espionagem comercial; entenda os bastidores da briga judicialA entidade já coloca à disposição dos advogados a LIVIA, plataforma de inteligência artificial voltada especificamente à prática do Direito. O OpenDetector é gratuito para advogados regularmente inscritos na OAB, bastando criar uma conta na Forlex para acessá-lo.Em junho, o colégio de presidentes das seccionais da OAB lançou uma ferramenta com a mesma finalidade, mas com parceria da JusBrasil.