Postagens de Trump nas redes sociais frequentemente movimentam mercados, lucros de muitas das principais empresas financeiras e fundos de hedge Algumas das contas mais seguidas na Truth Social pertencem ao próprio Trump e a pessoas alinhadas a ele — Foto: AP/Jacquelyn Martin A empresa de mídia social de Donald Trump discutiu cobrar de operadores de Wall Street e empresas de investimento até US$ 100 mil por mês para um acesso mais rápido às postagens do presidente dos Estados Unidos em sua plataforma, a Truth Social, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A Trump Media & Technology Group (TMTG), proprietária da Truth Social, também propôs nas últimas semanas um plano com desconto de US$ 60 mil por mês caso as empresas assinem um contrato de três anos, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as discussões são confidenciais. A TMTG revelou, na quinta-feira (16), um feed de dados licenciado e pago chamado “Truth API” — Interface de Programação de Aplicação Truth — para fornecer a bancos e empresas de operação financeira o acesso mais rápido às postagens das dez contas mais influentes da Truth Social, mas não forneceu detalhes sobre preços. A medida seria o primeiro passo da companhia no licenciamento de dados, abrindo uma nova fonte de receita, embora tenha atraído críticas imediatas dos democratas. Ron Wyden, senador dos Estados Unidos, afirmou que isso beneficiaria financeiramente a família Trump e “enriqueceria os operadores de Wall Street”. A Casa Branca encaminhou as perguntas sobre as declarações de Wyden para a TMTG, que não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. As postagens de Trump nas redes sociais frequentemente movimentam os mercados, e os lucros de muitas das principais empresas de operação financeira, fundos de hedge e empresas de serviços financeiros que dependem fortemente da velocidade com que conseguem executar as transações. Em 9 de abril de 2025, por exemplo, os principais índices de Wall Street subiram acentuadamente depois que Trump disse, em uma postagem na Truth Social, que pausaria muitas de suas novas tarifas por 90 dias. O acesso à Truth API seria essencial para empresas de negociação de alta frequência, pois uma vantagem de velocidade de apenas alguns milissegundos pode resultar em centenas de milhares de dólares em ganhos em grandes operações, disseram as fontes. O Financial Times reportou as discussões sobre a taxa de assinatura de US$ 100 no início da quinta-feira. Lucro com anúncios de políticas A TMTG tem enfrentado desafios para expandir seus negócios de mídia em meio à intensa concorrência de empresas de redes sociais maiores. O novo produto fornecerá cobertura 24 horas por dia de postagens influentes e incluirá um arquivo de publicações que remonta a 2022. A empresa informou que já contratou clientes antes do lançamento em 1º de agosto, mas não disse quem são. Algumas das contas mais seguidas na Truth Social pertencem ao próprio Trump e a pessoas intimamente alinhadas a ele, incluindo seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump, bem como apoiadores proeminentes como Dan Bongino e Sean Hannity. O Donald J. Trump Revocable Trust detém cerca de 114,75 milhões de ações, representando cerca de 41% de todas as ações em circulação da TMTG, de acordo com registros regulatórios. O fundo, que seus filhos supervisionam, administra os investimentos de Trump. Críticos levantaram questões sobre se Trump e sua família têm buscado aumentar suas fortunas lucrando com políticas anunciadas por seu governo. Em suas declarações financeiras mais recentes, Trump relatou mais de US$ 1,4 bilhão em receitas provenientes dos empreendimentos de criptomoedas de sua família no ano passado, após sua renda com ativos digitais se beneficiar de políticas que ele havia anunciado. O arranjo da Truth API seria “amplamente antiético”, disse Donald Sherman, presidente do grupo de fiscalização apartidário Citizens for Responsibility and Ethics in Washington, porque o presidente pode se beneficiar de pagamentos para um acesso mais rápido às suas postagens. No entanto, é difícil determinar a partir de informações disponíveis publicamente se isso é ilegal, disse ele. Sherman e outros especialistas observam que as cláusulas de emolumentos da Constituição, projetadas para frustrar a corrupção, não se aplicariam neste caso. Elas proíbem funcionários federais de aceitar presentes de governos estrangeiros sem a aprovação do Congresso, e o presidente de receber presentes dos estados. E embora as regulamentações federais proíbam amplamente a compra ou venda de um ativo financeiro com base em informações materiais não públicas, essa restrição não se aplicaria se potencialmente centenas ou milhares de pessoas recebessem acesso antecipado às suas postagens, disse Sherman. “Não acho que o Congresso ou qualquer órgão regulador jamais tenha contemplado que um presidente ou um influenciador de mercado se envolveria nesse tipo de arranjo de pagamento por acesso”, disse ele. Elizabeth Warren, senadora dos Estados Unidos, afirmou que se tratava de “um esquema flagrante para lucrar com a presidência e enriquecer Wall Street, sem fazer nada para ajudar os americanos”. Embora a Casa Branca tenha dito que o império empresarial de Trump é supervisionado por seus filhos, o presidente é o beneficiário dos rendimentos que entram em seu fundo. As ações da TMTG, que perderam cerca de 27% de seu valor este ano, fecharam praticamente estáveis a US$ 9,66 nesta sexta-feira, dando à empresa um valor de mercado de cerca de US$ 2,7 bilhões.
Trump Media propôs taxa de US$ 100 mil para acesso mais rápido a postagens do presidente, dizem fontes
Postagens de Trump nas redes sociais frequentemente movimentam mercados, lucros de muitas das principais empresas financeiras e fundos de hedge











