Expansão das operações, diversificação de produtos e modelos de remuneração tornam controles financeiros mais complexos e reforçam necessidade de governança nas assessorias Divulgação — Foto: Divulgação O mercado brasileiro de assessoria de investimentos passa por uma fase de amadurecimento que vai além da expansão da base de investidores. À medida que os escritórios ampliam suas operações, diversificam produtos e adotam modelos mais sofisticados de remuneração, cresce também a necessidade de profissionalizar a gestão financeira e estabelecer processos capazes de garantir transparência, rastreabilidade e segurança operacional. Um dos reflexos dessa transformação está na administração das comissões pagas aos assessores. Se há poucos anos muitos escritórios conseguiam controlar os repasses por meio de planilhas, hoje a realidade envolve milhares de clientes, diferentes produtos financeiros, múltiplos CNPJs, acordos personalizados com profissionais e regras específicas de remuneração, tornando o processo significativamente mais complexo. O tema foi debatido durante webinar promovido pela WP Manager, empresa especializada em tecnologia para gestão de assessorias de investimentos, que reuniu executivos do setor para discutir os principais desafios da gestão de comissões e da governança financeira. Segundo Jaylson Ribeiro, fundador da WP Manager, o crescimento do mercado exige que os escritórios passem a tratar a gestão financeira com o mesmo nível de profissionalismo dedicado ao relacionamento com os clientes. "A evolução das assessorias tornou inviável administrar uma operação complexa apenas com controles manuais. Hoje um escritório pode trabalhar simultaneamente com milhares de clientes, diferentes produtos financeiros e modelos específicos de remuneração. Quanto maior a operação, maior a necessidade de processos estruturados, rastreabilidade e indicadores confiáveis para apoiar as decisões." A complexidade vai além do volume de dados. Cada produto financeiro possui regras próprias de remuneração, diferentes parceiros comerciais podem adotar modelos distintos de repasse e muitos escritórios negociam condições específicas para atrair ou reter assessores experientes. Como consequência, o cálculo das comissões passou a exigir um controle muito mais detalhado e auditável. Essa realidade foi compartilhada durante o webinar por Matheus, gestor da Nelvalor Investimentos. Segundo ele, conforme os escritórios crescem, manter esse controle por meio de planilhas deixa de ser apenas trabalhoso e passa a representar um risco para a operação. "Quando administramos milhares de clientes e diferentes linhas de receita, qualquer conferência manual se torna extremamente complexa. Não é apenas uma questão de produtividade, mas de garantir que todos os cálculos sejam feitos corretamente e que exista transparência para quem recebe as comissões." Além da eficiência operacional, a transparência também ganhou importância estratégica na gestão de pessoas. Em um mercado competitivo, no qual escritórios disputam profissionais qualificados, oferecer clareza sobre critérios de remuneração e histórico dos pagamentos tornou-se um diferencial para fortalecer a relação entre gestores e assessores. "Comissão é um tema sensível porque impacta diretamente quem gera resultado para o escritório. Quando existe visibilidade sobre cada etapa do cálculo, histórico das operações e facilidade para auditoria, as dúvidas diminuem e a confiança aumenta. A governança deixa de ser apenas um requisito administrativo e passa a contribuir para a retenção de talentos", afirma Jaylson Ribeiro. Outro ponto destacado durante o encontro foi a necessidade crescente de adaptação às mudanças promovidas por corretoras e parceiros do mercado financeiro. Alterações em relatórios, inclusão de novos produtos e mudanças nas regras de remuneração exigem que os escritórios tenham capacidade de atualizar rapidamente seus processos sem comprometer a precisão das informações. Na avaliação de Jaylson Ribeiro, esse movimento acompanha a própria evolução da indústria de investimentos. "Os escritórios estão deixando de atuar apenas como distribuidores de produtos para se consolidarem como empresas cada vez mais estruturadas. Isso exige controles financeiros mais robustos, indicadores gerenciais, auditoria e processos capazes de acompanhar o crescimento do negócio. A tecnologia passa a desempenhar um papel estratégico para garantir escalabilidade e sustentabilidade." A expectativa é que esse processo de profissionalização continue acelerando nos próximos anos. Com operações cada vez mais complexas e investidores mais exigentes, a tendência é que governança financeira, automação de processos e rastreabilidade das informações deixem de ser diferenciais competitivos para se tornarem requisitos básicos para o desenvolvimento sustentável das assessorias de investimento.
Crescimento das assessorias de investimento aumenta desafio da gestão de comissões e impulsiona profissionalização do setor
Expansão das operações, diversificação de produtos e modelos de remuneração tornam controles financeiros mais complexos e reforçam necessidade de governança nas assessorias








