PUBLICIDADE Newsletter semanal do jornalista Thiago Prado mostra como chegada do ex-estrategista digital de Flávio mexeu com as redes de candidato do PSD, e também as divergências na campanha do mineiro. Na seção Recomendo, documentário sobre a greve da seleção francesa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Romeu Zema e Ronaldo Caiado — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 08:52 Caiado e Zema Ajustam Estratégias de Ataque a Flávio Bolsonaro Os políticos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) mudaram suas estratégias de campanha, intensificando ou reduzindo ataques contra Flávio Bolsonaro. Caiado elevou o tom dos ataques após críticas de sua equipe e engajamento nas redes, enquanto Zema, orientado por Sérgio Lima, diminuiu as críticas ao filho do ex-presidente. A divergência reflete uma tendência em campanhas brasileiras. Na seção Recomendo, destaque para um documentário sobre a greve da seleção francesa em 2010. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Este conteúdo faz parte da newsletter Jogo Político, de Thiago Prado, editor de Política e Brasil do GLOBO. Nas próximas duas semanas, estarei de férias para recarregar as baterias. A maratona da eleição vem aí. Após esse período, receba todas as quintas-feiras diretamente no seu e-mail (inscreva-se aqui). Até a volta! Primeira colocada nas pesquisas na corrida para o Senado em Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil) passou o último mês alertando o marido para o baixo índice de engajamento das suas postagens nas redes sociais — até então, focadas em falar de propostas ou exibir os feitos dos seus oito anos à frente do Palácio das Esmeraldas. As opiniões da primeira-dama estão por trás da guinada recente da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD), que aumentou o tom dos ataques contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) à revelia do que pensa o seu próprio marqueteiro, o publicitário mineiro Paulo Vasconcelos. Há duas semanas, o ex-estrategista digital de Flávio assumiu a administração das redes do ex-governador de Goiás e começou a bater de frente com tudo o que Vasconcelos vinha pregando internamente para a campanha do goiano. Marcos Carvalho, que também esteve na equipe do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, venceu a batalha interna e, em um curto espaço de tempo, começaram a aparecer posicionamentos mais duros sobre o filho do ex-presidente. Em 15 dias, Caiado chamou Flávio de “peru de Natal que Lula está cuidando” e disse que “o barco da candidatura está afundando” ao comentar a fragilidade do rival nas pesquisas e a dificuldade de fechar alianças; também ligou o filho do ex-presidente ao tarifaço do governo americano ao afirmar que ele “conspirou contra a economia brasileira”. Na batalha de narrativas das correntes da campanha de Caiado, os dois lados têm em mãos dados para sustentar que estão certos nas suas convicções. A turma de Marcos Carvalho celebra os números da agência AP Exata, que apontou crescimento de 446% nas menções ao ex-governador nas redes sociais em quinze dias. Já o grupo ligado a Vasconcelos acende o alerta para índices apontados pela Brandwach, ferramenta referência de monitoramento digital no mundo. Uma amostragem de 42 mil menções em redes sociais de 1º a 15 de julho apontou a maioria com conteúdo crítico a Caiado: 47,2% das postagens foram negativas ao ex-governador, 40,4% neutras e apenas 12,4% positivas. Muitas mensagens apontaram Caiado como traidor e lembraram a aliança com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, vice escolhido para a campanha presidencial e considerado um dos maiores rivais da direita. A divergência explícita entre marqueteiro e estrategista digital — uma rotina cada vez mais frequente nas campanhas eleitorais brasileiras — também ocorre neste momento na campanha do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Só que com sinais trocados da disputa interna na campanha de Caiado. Para dar novo rumo à campanha presidencial, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, se aproveitou de uma dança das cadeiras no mercado do marketing político — outra rotina frequente nas campanhas eleitorais brasileiras. O publicitário Sérgio Lima, que tocou o digital de Jair Bolsonaro em 2022, deixou a campanha do escritor Augusto Cury (que contratou Leandro Groppo, ex-estrategista de Zema, em 2018) e foi contratado pelo Novo como consultor. Ao contrário de Marcos Carvalho que está influenciando Caiado a bater em Flávio, Sérgio Lima está levando o ex-governador de Minas a parar de atacar o filho do ex-presidente. Ontem, Zema focou em criticar o presidente Lula pelo tarifaço. Nos próximos dias, termina o contrato de um ano de R$ 5,7 milhões de Renato Pereira com a pré-campanha de Zema. Se ficar para a campanha até outubro, Pereira seguirá defendendo o contraponto a Flávio. Se não adotar este caminho, como tem dito nas reuniões internas, Renan Santos (Missão) engolirá Caiado e o ex-governador de Minas nas urnas. Recomendo 'A greve da seleção da França" Futebol é incrível mesmo, passamos mais de um mês falando da França o tempo todo, mas no próximo domingo quem vai levantar a taça da Copa do Mundo será Espanha ou Argentina. Minha torcida será por Lionel Messi, desde já declaro por aqui. É muito interessante lembrar os tempos pré-VAR e a classificação da França para aquela Copa depois de lance irregular do craque Thierry Henry contra a Irlanda nas eliminatórias, em 2009. No ano anterior, a França tinha sido desclassificada da Eurocopa precocemente e a implicância com Domenech já era grande. A ponto da opinião pública questionar demais o pedido de casamento que ele fez sem nenhum contexto para a então namorada ao vivo na TV. É ele, Domenech, o protagonista de mais um enredo típico do futebol em que um técnico "perde o vestiário", expressão usada para definir quando há uma relação ruim entre comandantes e comandados no universo da bola. O documentário narra o episódio da discussão que Domenech teve com Anelka no intervalo de um jogo e a repercussão gigantesca que o episódio ganhou após uma manchete sensacionalista do jornal L'Équipe inventar um xingamento do jogador para o treinador que nunca ocorreu. Começa uma caça para saber quem foi o traidor que vazou a história para a imprensa de maneira deturpada e nos minutos finais do documentário a principal suspeita é apresentada (não falarei aqui para não estragar o final). O mais divertido do documentário para mim foi ver os envolvidos se odiando até hoje ao comentar o passado. Quando comenta a carta que os jogadores franceses escreveram se recusando a treinar um dia e que ele próprio leu para a imprensa, Domenech alfinetou: "Fiquei surpreso de terem escrito sem erros de ortografia".