O endividamento alcançou em maio 49% da população brasileira, segundo dados do Serasa. Além disso, quase 83 milhões de brasileiros têm dívidas em atraso. E isso mesmo com 8 milhões de pessoas tendo aderido, até agora, ao Desenrola, do governo federal. Para quem entrou no programa e não quer se enrolar de novo e, também, para qualquer um que queira por suas contas em dia, o GLOBO preparou uma ferramenta de organização das finanças pessoais. Confira abaixo: Na supercalculadora do orçamento doméstico, o leitor tem um passo a passo para mapear seus gastos e checar a sua atual situação financeira, numa espécie de “chá-revelação” das suas contas. O GLOBO ouviu também educadores financeiros e montou um guia para quem quer se organizar. Veja o roteiro: O primeiro passo para a organização financeira é deixar claro para si mesmo quais são todos os gastos da família. — Devem ser colocados todos os gastos num papel. O problema não está no gasto isolado, mas está no desequilíbrio entre padrão de vida, renda e capacidade de poupança. E, colocando no papel, você se surpreende com as coisas — diz Sigrid Guimarães, planejadora financeira da Planejar e sócia da Alocc. Ela lembra que, muitas vezes, o dinheiro cai na conta bancária, você paga as faturas da casa, impostos, vai enchendo o tanque de gasolina, faz supermercado e só acompanha os gastos pelo saldo mostrado no aplicativo do banco. Ao mapear uma a uma todas as despesas, é possível saber o que pode ser cortado e o que precisa ser reduzido. 2- Quitar as dívidas Quitar as dívidas deve ser um passo de urgência, a ser tratado imediatamente numa reorganização financeira. Para Singrid, este é um ponto que deve ser atacado de primeira para sair de gastos com juros altos e prejuízos que podem crescer: — É preciso fazer um plano para saná-las: ver qual é a pior dívida, dar prioridade para negociar as mais altas primeiro, conversar com bancos na tentativa de diminuir taxas. Não há planejamento financeiro que se sustente com dívidas crescentes — afirma a planejadora financeira. Ela lembra que a facilidade com que se pode criar dívidas através do cartão de crédito, por exemplo, pode rapidamente levar a pessoa a um nível de estresse financeiro: — Com juro alto, a pessoa se enforca rapidamente. O professor de economia do Insper Otto Nogami lembra que zerar o endividamento é também um aliado caso seja preciso, no futuro, recorrer a instituições financeiras em busca de socorro em em caso de imprevistos: — A reabilitação do crédito é extremamente importante para que a pessoa possa acessá-lo numa situação de emergência. E o crédito deve ser visto como uma solução emergencial, não como um caminho para satisfazer necessidades e desejos — ele avalia. — Nunca se deve contar com aquilo que pode entrar no futuro, e adotar o discurso de que “mês que vem eu pago, eu recebo décimo terceiro, tenho um adiantamento, uma restituição” — diz o professor. 3- Revisar os gastos A partir do mapeamento e após realizar um plano de ataque às dívidas, a hora é de reorganizar as finanças pessoais, para ganhar fôlego financeiro: — A função de um planejamento financeiro é dar clareza. A maioria das pessoas não mapeia quanto gasta. Quando mapeia, se surpreende com os gastos que tem. Invariavelmente, acham que gastam menos do quede fato gastam. Tendo direcionamento, você consegue cortar — diz Sigrid, da Alocc. 4- Readequar os gastos Após colocar sua renda na supercalculadora do GLOBO e dividi-las conforme orientação dos gastos, os especialistas alertam para os desequilíbrios. Eles afirmam que sempre há possibilidade de se diminuir gastos, sejam eles os essenciais ou aqueles destinados para o conforto e lazer: — Deve-se adequar o orçamento de acordo com a renda, ajustando. Se o orçamento está maior, é preciso elencar aquilo que se diz como essencial. As necessidades e desejos são infinitas, mas a despesa deve se restringir à renda e sua disponibilidade financeira para aquele mês — diz Nogami, do Insper. É difícil cortar na carne, mas a dor de cabeça no futuro pode ser pior. Sigrid afirma que o problema nunca está no gasto isolado, mas no “desequilíbrio entre o padrão de vida que se possui, a renda gerada e a capacidade de poupar para o futuro”: — Os custos fixos e essenciais devem ficar entre 50%, até 60%. Os custos variáveis, para conforto e prazer, em até 30%. E o ideal é ter 20% para poupança — categoriza a planejadora. Ela lembra ainda que pequenos ajustes somados podem dar fôlegos que não se veem separados: — Deixar de tomar um café na rua para tomar no escritório já economiza R$ 40 na semana. Trocar o carro por aplicativo por bicicleta, ou trocar pelo metrô, já economiza também. Renegociar com a operadora de telefonia pode proporcionar um pacote melhor. São pequenas coisas que, somadas, talvez te gere 10%, 20% que você precisa poupar — diz ela, afirmando que os gastos variáveis são os que mais possuem espaço para serem reduzidos. 5- A importância da poupança O ditado de que a prevenção é o melhor remédio nunca foi tão atual, avaliam os especialistas. Com as taxas de juros em patamares altos e a longevidade cada vez maior, tomar dívidas emergenciais pode se tornar uma bola de neve. O aumento da população idosa também pode criar uma pressão gigantesca sobre o sistema público de previdência, o que pode comprometer os pagamentos dos benefícios no futuro. O que fazer, então, para tentar evitar depender da assistência social e de eventuais surpresas que aparecem quando a gente menos espera? O ideal, afirmam os especialistas, é começar a poupar desde já para o seu “eu do futuro”: — As pessoas morriam com 70, 80 anos. Dado que temos que lidar com a longevidade, que não é mais impossível passar dos 90, o dinheiro precisa nos sustentar por muito tempo. Quanto mais cedo começar, é difícil, mas é melhor — diz Sigrid. Nogami, do Insper, lembra ainda que, a curto prazo, a poupança também pode ser muito útil: — O ideal é ter 20% ao mês economizados porque surpresas acontecem. Deve ter foco também no lado emergencial — ele diz.
Você é um dos 83 milhões de brasileiros endividados? Ferramenta do GLOBO ajuda a organizar suas contas; confira
Faça o 'chá-revelação' do orçamento doméstico e confira se você está em situação tranquila, de atenção ou emergencial. Veja ainda roteiro para melhorar seu planejamento financeiro







