A Coreia do Norte chamou a Coreia do Sul de "fantoche" nesta sexta-feira (17) e advertiu que Seul e Washington serão responsáveis por qualquer "escalada imprevisível" na região, após a participação sul-coreana em um exercício naval liderado pelos Estados Unidos. As críticas, divulgadas pela agência estatal norte-coreana KCNA, referem-se ao exercício Rim of the Pacific (Rimpac), realizado na semana passada no Havaí. Pela primeira vez, a Marinha da Coreia do Sul comandou as forças marítimas da operação. Realizado a cada dois anos, o Rimpac é considerado o maior exercício naval multinacional do mundo. Segundo seu site oficial, a edição deste ano reuniu cerca de 30 países, entre eles Japão, Canadá e Austrália. A KCNA afirmou que "as forças fantoches sul-coreanas participaram como um componente principal" do exercício, em um momento em que "a conivência militar está se tornando cada vez mais evidente". A agência fez referência ao fortalecimento da cooperação militar entre Coreia do Sul e Japão e à aproximação de Seul com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Esta é a primeira vez em cerca de um ano e três meses que a Coreia do Norte volta a usar o termo "fantoche" para se referir ao governo sul-coreano. A última ocasião foi em abril de 2025, após um incidente durante um treinamento militar em que um tanque de combustível e pods de canhão se desprenderam de uma aeronave da Força Aérea sul-coreana e caíram em uma área montanhosa da província de Gangwon. Segundo a KCNA, o Rimpac não foi apenas um "exercício de rotina contra um adversário hipotético", mas uma demonstração de força conduzida pelos Estados Unidos e seus aliados com o objetivo de intimidar países da região do Indo-Pacífico. "Todos esses fatos mostram quais forças realmente estão abalando os alicerces da paz e da segurança mundial e sinalizam a possibilidade de situações indesejáveis na Península Coreana e na região, caso não sejam evitadas", afirmou a agência. O comunicado também criticou um exercício conjunto entre os fuzileiros navais dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, alegando que o treinamento simulou uma "infiltração profunda na retaguarda inimiga" a partir do navio de assalto anfíbio USS Essex, da Marinha americana. As declarações ocorrem em meio aos esforços da Coreia do Norte para modernizar suas capacidades navais. No início deste mês, a KCNA informou que o líder Kim Jong-un acompanhou o lançamento de um míssil de cruzeiro estratégico e testes de sistemas de armas a bordo do novo destróier Kang Kon, de 5 mil toneladas. Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte — Foto: Ap foto
Coreia do Norte critica Seul por exercício militar liderado pelos EUA: 'Fantoche'
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